Osvaldinho… (final)

29/05/2009 por Rodrigo Oliveira

(continuação…)

Nesse instante, nem algo inimaginável, tipo um avião entrar voando pela parede do World Trade Center faria as pessoas tirarem o olhar daquela porta. O abertura ia aumentando e a luz do corredor fazia com que a sombra da silhueta de uma pessoa esguia invadisse  a agência, desenhando-se no chão e na parede oposta. Era ele, aquele sombrio metro e noventa só podia ser dele. Mas algo parecia estranho no contorno daquele corpo, à altura do pescoço. Tampouco a pastinha fazia sombra pendurada na mão direita. No lugar dela, aparecia um objeto cilíndrico. Lentamente os olhares deixavam a parede e o chão, rumando – pescoços esticados – diretamente para o homem balançante que tentava se equilibrar na entrada do escritório.

Osvaldinho, ele mesmo, o próprio. Mais o próprio do que sempre. Mais o próprio do que nunca. Era mais ele próprio do que antes sempre o fora. Camisa desabotoada, gola aberta e desalinhada, cabelos completamente desgrenhados, na mão uma garrafa de vodka barata, gravata solta, marcas de batom que marcavam o peito e iam da gola ao pé da orelha. Olheiras acentuadas, casaco preso pelo indicador sobre o ombro esquerdo e um cheiro da mistura cigarro-álcool-noite que, em segundos, inunda a agência inteira.

Diante do silêncio boquiaberto de todos, e todas, a passos trôpegos ele evolui sala adentro. Já no centro, pára. Quase não conseguindo equilibrar-se, gira perigosa e lentamente sobre os calcanhares, fitando seus colegas um a um.

No momento em que seus olhos encontram os de Adriana, que está em pé – imóvel e atônita atrás de sua mesa – as órbitas de Osvaldinho faíscam: Já tem programa – hic - pra hoje, Adri?

Ele estava de volta, o velho Osvaldinho estava de volta!

Jóia rara da música popular nacional

28/05/2009 por Rodrigo Oliveira

Lá estava eu, dirigindo rumo ao trabalho. Erguia-se a manhã da quinta-feira no Porto que me faz Alegre, quando, por um erro de comando, o rádio foi parar na sintonia da Farroupilha!

Após alguns instantes ouvindo a participação de uma ouvinte que demonstrava não ter nenhum compromisso com o idioma de Camões, e que entrara no ar, ao vivo, por telefone… o apresentador decidiu me brindar com essa pérola:

http://vagalume.uol.com.br/ricky-vallen/vidro-fume.html

No cantinho superior direito há um link para o aúdio e vídeo da obra!

Vale a pena…

Osvaldinho… (penúltimo capítulo)

28/05/2009 por Rodrigo Oliveira

(…continuação)

Para tristeza de Adriana, em uníssono, duas colegas respondem: Nada!

Naquele dia nenhum trabalho andava. Uma peça que deveria ser entregue no início da manhã, atrasou. Uma campanha que seria apresentada no início da tarde, não ganhava corpo. Fotos deixaram de ser tratadas, gravações de jingles foram desmarcadas. Vamos ligar, ofertou uma das colegas. Sim, está na hora, vamos ligar. Ligaram! Nada, só chamou. Teria sido seqüestrado? Sequestro relâmpago, está muito na moda. Estaria ele num porta-malas, rodando pela cidade. Teria sido agredido? Quisera que os bandidos o deixassem com vida num morro qualquer desses que circundam a cidade.

Ligar para a polícia, isso, deveriam fazer isso. Afinal era um amigo, um colega, um galanteador, um centro-avante, um homem em franca recuperação que poderia estar em apuros. Não. O que diriam para a polícia? Reclamariam do atraso de 58 minutos de um publicitário ao seu trabalho? A polícia, por Deus, deve ter mais coisas a fazer do que cuidar do cartão ponto do Osvaldinho. Ligar para a casa dele… Isso, era a solução! Não, claro que não. Se ele morava sozinho e não estava em casa, logo, ninguém atenderia. E o tempo ainda estava virando, ficando para chuva, úmido, pesado, cerração da braba. E minha chapinha, pensou Adriana. Desespero.

O único alheio e desligadão disso tudo era seu Jorge, da manutenção predial. Chegou com sua escadinha em punho querendo saber qual lâmpada deveria ser trocada. A que está apagada, né seu Jorge. Respondeu de forma ríspida Adriana, a sedutora sem vítima. Passava das 11h, quando seu Jorge terminou o serviço e pediu a Adriana o favor de abrir a porta para que ele passasse com sua escada e maleta de ferramentas. Num suspiro entediado ela levanta e vai ajudar o pobre homem.

Ao caminhar para abrir a porta uma nesga de ilusão irrompe o peito, e que peito, de Adriana. Imaginava acionar a fechadura e encontrar do outro lado seu alvo, ele, Osvaldinho. Suas mãos suaram, sua boca secou, o coração acelerou-se. O sorriso voltou aos lábios, e que lábios, e com ele as sensuais covinhas apareceram. Ah, aquelas covinhas que tanto perturbaram, que foram alvo de desejo e muita falácia de Osvaldinho, agora estavam ali, a sua mercê. Desde que, é claro, ele estivesse do outro lado da porta. O que não aconteceu.

O horário do almoço se aproximava, alguns já começavam a suspender suas atividades, juntar papéis, fechar softwares e, por isso mesmo, a atenção se desprende. De forma superficial e temporária, é verdade, mas por um segundo todos parecem distraídos com suas coisas, algo que ainda não havia ocorrido naquele turno de trabalho. Nisso, um ruído quebra de novo a desatenção. O barulho da maçaneta, seguido do ruído das dobradiças estabelecem imediato silêncio. Tal qual magia, a porta atrai o olhar de absolutamente todos os colegas para ela, e vai se abrindo lentamente…

(continua…)

Meu Deus, o que acontecerá…??? Não perca, no próximo e último capítulo!!!

Osvaldinho… (capítulo III)

27/05/2009 por Rodrigo Oliveira

(…continuação)

Era a voz de Lucas, o boy: Que tal um chimarrão, pessoal?
Todos aderem! Muito mais por passa-tempo do que tradicionalismo. De mão em mão circula o amargo, enquanto a preguiçosa máquina do tempo aponta, recém 9:15h. Falta pouco. Aqueles últimos 15 minutos parecem não passar. Alguém liga o som ambiente. O Alemão Vitor Hugo conversa com Mary Mezzari, jactando-se da vitória colorada sobre o Flamengo. Ouve-se um chiado, era a estagiária, Carla. Girava o botão, ponteiro do dial rumando a uma estação de pagode. Balbúrdia, revolta e reclamação geral! O pessoal da agência tinha muito bom gosto musical. Sintonizam, em comum acordo, os 107,7 da FM Cultura. Sob protestos da estagiária.

Com isso, houve um certo relax geral, e quando a atenção se transforma de novo em tensão, já são 9:32h. Céus! Onde estaria ele? Teria chegado durante a eleição da rádio? Estaria em sua sala? Talvez estivesse no elevador, preso. Sim, só assim, só preso para que o novo Osvaldinho chegasse atrasado. Deus! O que teria havido? Trânsito? Um acidente? Não, Adriana não suportaria. Quem sabe deveriam ligar pra ele? Não… Calma, sugeria-se Adriana. São apenas dois minutos de atraso. Ele deve estar chegando. Ele e sua pastinha. Sim, pois o novo Osvaldo, mundanamente, usava até pastinha com fechadura de segredo. O fim.

É melhor esperar. Retocar a maquiagem seria uma ótima idéia. Ajudaria a passar o tempo e ela poderia, depois que ele entrasse, surpreendê-lo. Surgir triunfal, maquiada, linda, insinuante e decotada, claro. Foi-se então ao banheiro. Lá dentro, só Deus sabe o que fez. E só o diabo sabe o que pensou Adriana. O certo é que lá permaneceu por mais de meia hora. Lá fora, nada dele. Adriana sai do toalete com jeito esperançoso e olhar questionador. Cadê ele?, perguntavam seus olhos, mirando cada um dos silentes colegas. Nada do Osvaldinho ainda? – indagou, com voz trêmula…

(continua…)

Qual será a resposta, teria chegado Osvaldinho? Onde andaria?

Não percam, ainda hoje em: Osvaldinho, capítulo IV…

Osvaldinho… (capítulo II)

26/05/2009 por Rodrigo Oliveira

(…continuação)

As colegas pediam cuidado e lembravam que onde se ganha o pão, não se come a carne…’”. Determinada, Adriana avisava: “Aguardem! Quem viver, verá!”. Com esta afirmação, o expediente foi encerrado na agência de publicidade Merlin. A noite recém caía naquela sexta-feira, com a promessa de festas intermináveis e bebedeira indiscriminada em alguns pontos de Porto Alegre. Porém todos estes eventos teriam uma ausência em comum: Osvaldinho.  

O homem já nem queria mais nada naquele dia. De tão sério, aparentava cansaço. Até o futebol das 19h foi vítima do descaso de Osvaldinho. A centroavância e a cerveja pós-jogo não seriam as mesmas sem o camisa nove. “Cara, tu sabes que antes do jogo passei pela sala de reuniões. Só as mulheres por lá. Está sabendo a razão?”, perguntou Flávio ao amigo Gabriel. “Tchê, se eu ouvi bem, parece que a Adriana armou um negócio para segunda-feira. Não sei dizer o que, apenas peguei um ‘quem viver, verá!’”.

A ala masculina da agência nem imaginava o que estava por vir, enquanto a feminina aguardava com expectativa o movimento de Adriana. Os homens continuavam preocupados com a situação do amigo, mas pretendiam tomar alguma decisão a respeito só a partir da próxima ausência no futebol.

Oito e meia da manhã e o sol já se instalava alto no céu da capital dos gaúchos. Seu Francisco, porteiro da agência e grande figura do prédio, recebia todos os funcionários com um animado bom dia. No momento em que retomava a leitura da coluna de Ruy Carlos Ostermann, recebe o cumprimento de Adriana. Seu Francisco levanta a cabeça e faz uma pausa, necessária, de cinco segundos antes da resposta. “Bom dia, dona Adriana!”. A loira já entrava no elevador quando o porteiro sussurra para si: “Ahh se eu tivesse faculdade…”. E assim o flerte preferencial de Osvaldinho se encaminha, mais vistosa do que sempre, para o quinto andar.

Abrem-se as portas do ascensor e Flávio, juntamente com Gabriel, encontram a colega num dos seus melhores momentos. Ela já havia avisado de que armas iria dispor. O jeans azul marinho, que demarcava seus quadris e os deixava no tamanho exato, entre irresistível e hipnotizante. O bolerinho branco, acompanhado de uma blusinha preta, transformam o decote em uma espécie de imã irritante, que encurta distâncias e atrai olhos masculinos diretamente para ele. E claro, o complemento fundamental, os scarpins de couro marrom.

“Olá meninos. O Osvaldinho já chegou?”, perguntou Adriana. Flávio e Gabriel, em jogral, respondem, “Ainda…Não”. A musa da agência dispensa a dupla e dirige-se para a sala de criação. Osvaldinho só chegaria pelas 09:30h. Até lá, Adriana tratou de deslocar alguns queixos e causar dores de cotovelo nos bracinhos invejosos das colegas de trabalho. Tudo bem, pensou ela. A espera valeria a pena, e não duraria muito. Afinal, Osvaldinho já não chegava mais atrasado no trabalho havia quatro rigorosos e pontuais meses.

Maquiagem impecável, batom discreto e com certo brilho, olhos delineados e, o melhor, com direito a trato especial nos cílios. Que Osvaldinho, antigamente, adorava anunciar sua paixão pelos cílios apropriadamente longos e delicadamente curvilíneos de Adriana. Pois assim estava ela, que já o aguardava ansiosa.

O relógio, pródigo, insistia em seu passo lento. As atividades, o telefone, os e-mail’s, tudo parecia num ritmo diferente naquela segunda-feira. Diferente, e tendo menos importância. Os minutos iam passando, implacáveis. A marcha dos 60 segundos torturava não só Adriana, mas também as outras meninas do escritório. Os homens continuavam, coitados, curiosos. Podiam sentir o clima tenso que pairava no ar, percorria teclados, porta-arquivos e chegava, pasmem, a cafeteira. Que naquele dia, com ineditismo, ficou desligada. Um espanto.

Era possível ouvir o tic tac do relógio pendurado na parede da recepção, tamanho o silêncio da expectativa. Em meio a tanta espera, finalmente ele chega. O ponteiro grande chega ao ponto mais alto da máquina, são 9:00h. Faltam apenas 30 minutos para que Osvaldinho encontre a algoz de sua pretensa recuperação. Foi quando uma voz se desprendeu lá da sala do Xerox, invadindo cada recanto da agência.

(continua…)

Tchãn, tchãn, tchãn… não percam os próximos capítulos, a qualquer momento neste bat-canal!

Osvaldinho…

21/05/2009 por Rodrigo Oliveira

Mudara tanto, e de tal forma, que surpreendera até os mais próximos. De cortejador destemido, a romântico incorrigível. Tal fato aguçou os amigos. Teorias, teses, começaram a ser elaboradas – aos montes – entre eles. Nas mesas de bar ou mesmo durante o trabalho. Afinal, que diabos acontecera com Osvaldinho?

Osvaldinho, o dono da lábia, deu lugar a Osvaldinho, o romântico. Quase um tímido. As mulheres, tão acostumadas a incessantemente ouvi-lo, já nem sabiam mais reconhecer a sua voz. Nada a ver com aquele que, outrora, não perdoava quaisquer profundidades de decotes ou altura de corte das saias. Na festa do fim de ano do pessoal, sequer pulou na piscina. Pela primeira vez em 15 anos.

“É passageiro”, garante o companheiro de ataque no futebol. “Ih, não sei não. Nunca tinha visto ele comprar flores. Aliás, acho que ele nem sabia onde tinha floriculturas na cidade”, desconfia. Os relatos variam, mas a conclusão é sempre a mesma: Osvaldinho está muito mudado.

Certa feita, depois de uma festa “daquelas”, um tanto avoado no trabalho, Osvaldinho começou a sondar como seria a vida de casado. Logo ele, que dorme com o cachorro, e não tem nenhum objeto cor-de-rosa no apartamento,  agora questionava os amigos tentando imaginar como seria a vida com uma mulher todos os dias sob o mesmo teto. Pior, diziam os amigos, ele parecia perguntar sobre viver com a mesma mulher.

Dias atrás, num happy hour, os mais maldosos sugeriram até que fizesse algum curso de decoração, tamanha a predisposição dele a falar sobre quadros e móveis. Inicialmente, pensaram que ele iria se mudar, hipótese descartada. Reforma? Também não. Casa nova pro cachorro, então? Não. Apenas queria organizar seu apartamento. Estranho!

“Bichice! Virou veado…”, resmunga o ex-parceiro de bar, abandonado recentemente por Osvaldinho. “Olha, eu acho que é alguma mulher. Dia desses até vi o Osvaldinho assoviando pela rua”, completou. ”Isso é coisa de homem que encontrou a mulher certa, seu moço”, sentencia a dona da banca de jornais em frente ao prédio dele.

Questionado, Osvaldinho é evasivo nas explicações. Aquele papo de se tornar um cara mais organizado já não cola. Desconfia-se até de que o cusco está dormindo numa caminha, o cúmulo. Há algo por trás disso tudo. Aliás, há alguém. A questão é: loira ou morena? Baixa ou alta? Ele não confirma nada. Nem mesmo a existência da dita cuja.

Curiosamente, nesse período de transição, as colegas da firma passaram a olhar Osvaldinho com outros olhos. O simpático ex-cafajeste agora era um partidão. Aos poucos, elas voluntariamente se aproximavam do novo homem sério do pedaço. Antes, mal davam oi e só o esnobavam em horário comercial.

Boatos dão conta de que até café servem pra ele. Perguntam da vida pessoal e algumas arriscam saber o verdadeiro motivo para tamanha mudança. Talvez queiram colher os frutos dessa transformação, não se sabe ao certo. A única certeza entre os colegas de trabalho é que a curiosidade feminina que antes só girava em torno da moda inverno e viagens a Buenos Aires, atualmente incluía Osvaldinho.  

Adriana, alvo preferido de Osvaldo nos tempos de inconsequente, hoje vê nos seus generosos quadris e decotes voluptuosos, obsoletas armas de sedução. Eles já não arrancam nada mais do que um bom dia do colega de agência. Surpreendida com a alteração de atitude, a loira comenta com as colegas e diz que deve ser algo passageiro. Nada que um bolerinho branco, uma calça jeans justa e um scarpin não resolvam.

“Segunda-feira vocês vão ver gurias, vai cair a máscara do Osvaldinho!”, apostou.
“Ai, conta… o que tu vai fazer, hein?” 

(continua…)

O que fará Adriana? Não percam as cenas dos próximos capítulos…

A (des)humanidade me espanta

17/03/2009 por Rodrigo Oliveira

Vê se pode um negócio desses… Vou arrumar um serviço pra ela aqui na Vivo. Aposto que em dois meses ela manda amputar o braço!

 
Admiração pela Vivo faz cliente catarinense tatuar ícones da empresa

O bom relacionamento de uma dona de casa de Brusque (SC) com a Vivo é tanto, que a cliente tatuou sete ícones da Vivo no braço. Neide Maria Montebeller Cecato, de 52 anos, fez a tatuagem colorida há cerca de seis meses.

Segundo ela, a tatuagem causa surpresa nas pessoas, mas mesmo tendo que lidar com a reação dos outros, ela não se arrepende. “Quando saio, todo mundo pergunta se é de verdade. Perguntam se estou fazendo propaganda. Eu explico que não, que queria apenas fazer uma coisa diferente. Como acho muito bonitinho os bonequinhos e tenho um ótimo relacionamento com a Vivo, resolvi fazer”, explica ela.

Depois que decidiu pela imagem do ícone da empresa, ela levou o manual de instruções de seu aparelho da Vivo como modelo para o tatuador copiar e optou por colocar um ícone de cada cor, fazendo a volta no braço. “Ficou estilo tribal. Meu namorado disse que pareço uma índia, mas eu adorei”, diz ela, que tem ainda uma lua e uma estrela tatuadas nas costas e uma sereia tatuada na perna.

Neide é cliente da Vivo desde que comprou celular há cinco anos. Toda família dela e as amigas são clientes Vivo. “Assim é muito bom. Falo com todo mundo pagando mais barato”, completa.

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                   A desgraçada

Dois grandes sustos…

09/03/2009 por Rodrigo Oliveira

Nesse momento está ocorrendo uma espécie de sequestro(agora sem trema) em um dos pontos nevrálgicos do centro de Porto Alegre. Um casal, supostamente proprietários de uma empresa prestadora de serviços à Corsan (Companhia Riograndense de Saneamento), mantém o presidente da concessionária do serviço público, Mário Freitas, como refém.

Divulga-se, a princípio, que a ação se deu em função do não pagamento – por parte da Corsan – de valores monetários referentes a obras iniciadas pela empreiteira, mas embargadas pela concessionária para auditoria. Informações preliminares apontam o nome do empresário Marcelo Vargas, um empreiteiro de Canoas, como possível agressor.

Fico pensando, se a moda pega, amanhã vocês ouvirão: Um gerente de agência do banco Real, invade apartamento em Porto Alegre e mantém refém o proprietário do imóvel. O bancário estaria armado e exigindo o pagamento das dívidas do morador Rodrigo Oliveira, junto à instituição financeira.

Mas o pior de tudo não foi isso. Enquanto ouvia a cobertura do “sequestro”, fui ao banheiro e me enxerguei no espelho. Lá estava eu, escovando os dentes do Nuno Leal Maia. Susto!

Céus, como me nasceram tantos cabelos brancos de ontem para hoje? Não encontro respostas para isso. Pois bem, vou ter que partir para a química, creio. Medo!

Bom, agora acaba de ocorrer o desfecho da “cobrança a domicílio” na Corsan. Ficou tudo certo com refém, policiais e agressores. Vou aproveitar e sair correndo daqui, necessito urgentemente de cosméticos. Preciso fazer algo para que amanhã não me veja escovando os dentes do Walmor Chagas. Pavor!

Sazonalidades…

04/03/2009 por Rodrigo Oliveira

É engraçado estar em Imbé, na beira do Rio/Mar – já que estou aqui na barra – e ver o “vazio de gente” que se deu no litoral de oito dias para cá.

Daqueles tumultos do trânsito, das exibições de minúsculos biquinis caminhantes, do concurso velado de qual carro é mais caro e mais raro dos janeiros e fevereiros de calor hostil, da concorrência pelo melhor mau gosto nos sons estridentes instalados nesses mesmos veículos – quase sempre caminhonetes, ou carros com portamalas abertos -, da concorrência canina pelo porte das mais grossas correntes de prata(?) nos pescoços de bad bois (sim, com “i” mesmo) mimados e extremamente ofensivos com a boa estética da indústria bijutérica… Agora o que se vê, ou não se vê aqui, são esses ou quaisquer outros tipos de pessoas. Se é que podemos chamar os primeiros de pessoas.

Hoje, só quem está aqui no litoral são grupos da terceira idade ou pobres coitados que precisam trabalhar vistoriando obras de operadoras de telefonia celular litoral afora. Só não me venham com a piadinha de que o segundo caso se enquadra no primeiro, até porque as turmas de velhinhos são formadas, invariavelmente, por uruguaios e argentinos.

Sigo eu aqui, então, na solidão da sazonalidade climática e migratória intermunicipal gauchesca. Fui, vou ali jogar bingo ou medir a altura da mureta da entrada de energia de um novo equipamento da Vivo. Eu mereço!

P.S.: A respeito do comentário da Carmen Lúcia num post antiiiigo, o “Sassaricando”, aqui vai a resposta, cara leitora: http://www.biscoitofino.com.br/bf/catalogo.php?var=sassaricando&x=8&y=9

O umbigo e folia…

17/02/2009 por Rodrigo Oliveira

Não tenho tido tempo para escrever. Tempo, ah o tempo… Saudade do tempo de ter tempo. Mas a minha falta dele é um problema só meu, não é mesmo? Tanto que as cobranças e reclamações por “estar deixando”(by Call Centers) as teias de aranha tomarem conta aqui do barraco, não se aplacam por isso. Então voltei.

Como estou sem muita inspiração para fazer piadas ou produzir textos criticosos à política/economia mundial, nacional, ou mesmo aqui dos confins tupiniquins, onde se mostra a face da corrupção… já que, tampouco, estou interessado em dividir minhas raivosas referências à Free-way congestionada e ao 3-6-1 do Roth… ao patético Bial e seu – mais patético ainda – programa de fofoca e vazia observação da desinteressante vida, de gente mais desinteressante ainda… como não pretendo espumar branco ao refletir sobre o relacionamento da menina monstro Malu Magalhães com o Dromedário, e a respeito do inexplicável sucesso dos pastores travestidos de cantores(ou vice-versa) Vítor e Léo… preferi, num rompante de umbigocentrismo exacerbado, falar de mim! O que, convenhamos, é um tema muito mais relevante e importante! Ao menos para esse que vos escreve.

Talvez o “como anda minha vida” que farei daqui por diante interesse muito menos a vocês do que as bundas desfilantes, os peitos emborrachados e os baixos QI’s imperantes na piscina e nas festas da casa mais vigiada no Brasil da poderosa número 1 do Ibope. Porém, por pura incapacidade “cultural”, já que não tenho conhecimento para opinar sobre o que realmente importa no BBBrasil, vou contar o que tem acontecido comigo. E ah, a minha vida, apesar de tão desinteressante quanto a dos “nossos heróis”(???), vocês podem espiar à vontade! E sem pay-per-view.

Estive, como todos bem sabem, estudando Jornalismo nos últimos 4 anos. Formei-me no dia 9 de janeiro (role mais abaixo a página, dê-se ao trabalho de ler o próximo post e conhecerás o meu discurso de formatura). Também já é conhecido da maioria (que ainda assim é uma minoria, já que isso aqui é muito pouco lido mesmo) que trabalho numa área nada a ver com o Jornalismo. Portanto, há anos me consterna o fato de saber, profissionalmente falando, pra onde vai minha vida… Pois bem, sigo sem saber!

O certo é que concluí uma etapa que nasceu como um desejo, uma descoberta de vontade e consolidou-se como a certeza de uma vocação. Depois, mais do que isso, virou uma obsessão pelo saber, um sonho pelo fazer e uma promessa a ser cumprida. A mim mesmo e ao meu pai, a quem prometi que um dia concluiria a faculdade. Essa parte está completa e está contada.

No mais, a vida é feita de muitos outros fatores, mas já está muito grande esse post e a modernidade diz que textos grandes não são lidos. É gente, os escritos agora não são mais avaliados ou apreciados pela qualidade (e não que esse tenha alguma), atualmente eles são lidos, ou não, pelo seu tamanho. Pasmem!

Abre parêntese. Descobri, ontem, que tem uma espécie de blog – o Twitter – que está fazendo um sucesso febril na grande rede mundial de computadores. Porque os post só podem ter, no máximo, 140 caracteres. Fecha parêntese.

Enfim, considerando tudo isso, vou comentar sobre uma das tantas outras partes importantes da vida da gente, a dos sentimentos. E sim, falo pouco deles aqui. Na verdade acho que nunca falei. Certa feita tive um outro blog e falava demais neles, achei que ficou meio piegas e parei com aquilo. Só que agora, sei lá, estou tão bem que resolvi contar. Acho que minhas irmãs vão gostar de saber/ler isso.

Conheci alguém, ou melhor, já a conheço há quase 4 anos, mas passei a conhecê-la melhor ultimamente. Trata-se de uma pessoa de quem eu já gostava, admirava, respeitava desde então. Mas é inegável que termos ficado juntos, e de uma maneira muito inesperada, não premeditada e nunca antes cogitada, tanto me surpreendeu quanto me encantou. Melhor mesmo, só o fato de que as coisas tiveram uma seqüência absolutamente natural e – até então – impensável. Curioso que hoje se tornou, pra mim, de impensável em indispensável.

Pronto, falei, azar. Piegas, me chamem, se quiserem. Mas um piegas feliz e contente com o que está acontecendo, com o jeito e o tempo com que está acontecendo, com o respeito e a parceria (êêê palavra importante essa!) que as coisas tem evoluído e com o quanto isso tudo está me encantando. Algo que, confesso, uns tempos atrás cheguei a pensar que nunca mais aconteceria.

Bem galera, agora é chegada a hora de ser menos intro e mais extrospectivo (se essa palavra existisse, é claro… mas vocês entenderam, né?) Estou falando isso porque afinal, é chegada a tão esperada hora da folia do Momo. Mais um ano se foi, mas um ano vem, mais uma vez temos o direito de extravasar a alegria contida e incontida, de expulsar a tristeza, de esquecer os problemas, de doar cinco dias e viver mágicas e lúdicas 120 horas de prazer.

É um tempo sem relógio, sem sapatos, sem contas, sem realidades, com fantasias, com música, com brincadeiras, com emoção, com suor e ritmo, com tolerância, com cheiro de festa, de folia, com amigos antigos, em busca de novos, com chiclete, com banana, com galera, com cheiro de amor, querendo que essa fantasia fosse eterna, reforçando o desejo de querer ver um dia a paz vencer a guerra e de só fazer se você fizer, com amor, com amor…