Archive for outubro \29\UTC 2008

Idéias…

29/10/2008

Dois loucos conversando… mas pensando bem, gostei da idéia.
Qual será a melhor data?

Pippo diz:
qntas páginas
hahahahahahahahahahahahaha
Rodrigão, diz:
41, por enquanto
Pippo diz:
maza
Rodrigão, diz:
No último tópico
Pippo diz:
só falta 9
Rodrigão, diz:
heheheh
Pippo diz:
tópico = capítulo?
Rodrigão, diz:
Mas tá indo
Pippo diz:
aleluia
Rodrigão, diz:
Falta, na ordem:
1-Tópico atual.
2-Leitura do que já tem até agora.
3-Jogo do Grêmio.
4- ???
5-Amanhã se vê…
hahahahaha
Pippo diz:
hahaha… qual o nome da música do Vinicius… “eu sem voce meu amor não sou niguém…” ???
Rodrigão, diz:
“sou barco sem mar… amor sem se dar… eu sem você sou só desamor…. sem você meu amor eu não sou, ninguém…”
Pippo diz:
aham… descobri que a tenho mas está sem nome
Rodrigão, diz:
“Vem ver a vida… Volta querida… os teus braços precisam dos meus, meus abraços precisam dos teus…”
Pippo diz:
sim, mas pára de cantar que eu me apaixono
Rodrigão, diz:
hahahaha… O nome mesmo deve ser Prelúdio. Samba em Prelúdio
Rodrigão, diz:
Algo do tipo… ele adorava isso de “Samba em … ”
Pippo diz:
hahha
Rodrigão, diz:
Escrevi uns versos esses dias… na verdade idéias para versos. Depois tem que lapidar pra deixar redondo
Pippo diz:
eu sou bom com rimas. meu pai tb escreve…
Rodrigão, diz:
Uma é por aqui: veja que ingrata a tarefa do coração, que precisa bater para garantir a vida. Mas que batendo, vai morrendo de tanto viver.
Pippo diz:
“você foi embora…
sem nem olhar para trás
jogou tudo fora
só esqueceu de levar
a dor da falta que vc me faz…”
Pippo diz:
bah que fantástico…
Pippo diz:
pq para se morrer é presciso viver
Pippo diz:
(samba em prelúdio)
Rodrigão, diz:
A outra: No botequim, entre riscos rabiscos de memória, tomo do copo… enquanto no guardanapo eles tomam corpo, ganham cintura e compasso, em mais um samba que faço
Rodrigão, diz:
E por aí vai…
Rodrigão, diz:
De vez em quando surgem umas coisa na cabeça da gente que de tão boas nem parece que a gente é a gente… hahahaha
Pippo diz:
depois tu lança poemas de bar
Rodrigão, diz:
Pode ser, pq não
Pippo diz:
ou poemas para serem bebidos
Rodrigão, diz:
Bem, mas agora vou à monografia…
Pippo diz:
ou Poesia (ao invés de lírica) Líquida ou Etílica
Rodrigão, diz:
Todas boas idéias… salva essa conversa… please!
Rodrigão, diz:
Quem sabe um dia marcamos um Sarau aqui em casa e outrora possamos nos utilizar dos nossos lampejos de agora?
Pippo diz:
Esse dia irei de esperar…
e rimas novas vou bolar…
para quem sabe entre um copo e outro
não apenas declamar… e sim me expressar…
Pippo diz:
e quem sabe alguém com elas enganar… hahahhahahahaha
Rodrigão, diz:
hahahahaha
Pippo diz:
De repente esses versos podem parar nos ônibus… hahahha
Rodrigão, diz:
Olhaê… R$ 2,10 para nos ler!
Rodrigão, diz:
Será TRI nos ler!
Pippo diz:
hahaha
Rodrigão, diz:
Báh, ainda bem que o Onix não ganhou… queria a passagem única… os caras pagariam menos e nos leriam mais… numa clara desvalorização do nosso trabalho
Pippo diz:
hahhahahaha
Pippo diz:
hahahah
Pippo diz:
Ó ingrata tarefa tens pobre coração
Num bate-bate que não tem mais fim
Vem trazendo a vida dentro em mim
Mas batendo
Aos poucos vai morrendo
De tanto me fazer viver
Rodrigão, diz:
Viu só… Deu, xá pra lá… deixa pro dia do Sarau…
Pippo diz:
tah. hahahahah…
Rodrigão, diz:
Vou poetizar na mono agora… minha banca é dia 25 17h
Pippo diz:
de dezembro?
Rodrigão, diz:
No, creo que noviembre
Rodrigão, diz:
Menos de um mês
Pippo diz:
bah
Rodrigão, diz:
Ou seria dezembro? Não, não… novembro mesmo
Rodrigão, diz:
Não seria no Natal
Pippo diz:
Não, 5 de dezembro acho que  será  a minha
Rodrigão, diz:
Eu mataria Cristo de desgosto no aniversário dele
Pippo diz:
hahahha
Pippo diz:
ou o ressuscitaria, de novo
Rodrigão, diz:
hahahahaha
Rodrigão, diz:
Talvez com a ajuda dele eu conseguisse fazer um trabalho melhor
Pippo diz:
aleluia…
Rodrigão, diz:
Mas hein? Qual seria a melhor data pro Sarau???

Tempos de amizade…

28/10/2008

Essa coisa de fim de faculdade tem me deixado bastante confuso, diferente e meio nostálgico por antecipação… Tô sentindo uma saudade pré-paga dos meus colegas, professores, da rotina acadêmica e dos trabalhos chatos, mas adoráveis. Como farão falta os prazos exíguos, mas ezeqüíveis, as festas, bares, amizades e a minha – talvez única – possibilidade de fingir pra mim mesmo que tenho convívio com o “mundo real” do jornalismo… Well…

Certo dia, nos devaneios de um bar ou algo do tipo, escrevi meio que de brincadeira, meio que de verdade… Divaguei meio sem pensar exatamente no que estava dizendo, eu acho. Mas agora eu vejo que as palavras que eu menos pensei e menos gostei, as que soaram até meio piegas e fizeram menos sentido, agora estão fazendo muito. Todo, eu diria! A elas:

Na batida triste(?) do Blues, na visita da saudade, na presença das ausências o que me consola é justamente a lembrança – nada blues – dos amigos de quem vou recordar “só enquanto eu respirar”…
Esteja o Apolinário onde estiver.
Saibamos, ou não, o que é RP, PP ou Jornal.
Saiamos vestidos de blusão e casaco, ou nus!, depois do tão sonhado strip poker.

Beijão… e se esquecerem de mim, lembrem – ao menos – que de você, eu não!

Escrito, sabe-se lá quando, em um guardanapo barato… bem típico dos lugares que frequentamos, sabe-se lá porque, e que foi encontrado agora. Tinha ficado perdido no bolso de uma calça sem uso. Ah, os presente eram os amigos Andressa, Luiz Felipe, Vivian e Tiago.

P.S.: Faltaram muitas pessoas importantes que farão tanta falta quanto os citados, mas que não estavam lá no dia, por isso não apareceram ali.

Marcas criadas a ferro e fogo

10/10/2008

Eu precisava produzir uma crônica para uma revista, algo editorialmente mais sério e científico, eu acho. Mas não consigo fugir muito de mim mesmo, ou seja, do escracho, da ironia e da tentativa de fazer alguma graça. Talvez o encomendador não ache o tom do texto adequado para a linha editorial da publicação, mas acho que pra cá ele se aplica…

 

Quero escrever sobre o gaúcho, mas não estou me referindo ao gaúcho de fato e de direito, ao cidadão nascido na mais meridional das unidades da federação. Estou falando dele, do gaúcho, daquele que você – e o mundo – conhecem bem. Falo do homem especial, diferente, bravo, forte e valente que habita, não só o chão de onde as façanhas servem de modelo a toda terra, mas também o imaginário dos pampeanos de toda essa querência amada do céu de anil. E mais, que se espalha, derrama e espraia, como diria um bigode balançante, para além dos recortes geográficos do Mampituba.

Esse mito simbólico e intangível povoa e inunda, com toda a justiça, de gauchismo cidadãos desde o Oiapoque, passando por Cariri do Tocantins – que em Cariri do Tocantis todos devem ser muito tocados pelo gauchismo, é claro – e chega ao Chuy. Quem dirá então ao Chuí. Pois esse Super-homem pré e pós-moderno, tem como seu mais íntimo companheiro, o cavalo. A adaga, a guaiaca, a cuia, a bomba, a chaleira e a chinoca – que alguns forasteiros costumam tratar, desavisadamente, de mulher – até têm certa importância, mas nada comparado ao seu fiel escudeiro, o cavalo.

O cavalo tem para o gaúcho uma importância e uma exclusividade capaz de fazê-lo acreditar – o gaúcho, é claro – que a qualidade do seu animal é única. E, sempre, melhor do que a de qualquer outro cavalo existente. O gaúcho, na verdade, faz com a imagem do animal, o que a partir de algum ponto obscuro da história, se fez com a imagem do próprio gaúcho. O gaúcho tem, ou pode ter, muitos cavalos, mas todos eles têm um cavalo que é o seu cavalo. Algo como a bolita joga dos meninos ou o conjunto de cinco Marias das meninas.

Uma vez eleito melhor cavalo da tropa, o animal – estou falando do quadrúpede – passa a ser o que, na música, seria chamado de cavalo de trabalho. Ele é pau para toda obra, é o cavalo de montaria, de serviço, o cavalo da lida do campo – que todo gaúcho vive no campo – como se sabe. O homem gaúcho acredita, pois sabe – e tem toda a razão – que esse cavalo é soberano. Sim, é. E todo “cavalo de lida” – vamos chamá-lo assim para evitar problema com as gravadoras – tem direito a nome próprio.

Chegar ao posto de cavalo de lida não é fácil, o irracional precisa provar ao outro que é mesmo especial. O quadrúpede precisa ser tão forte, valente e único, quanto o mega-homem que maneja suas rédeas. Pensando na unicidade e na onipotência – que só o seu cavalo tem – todos os gaúchos dão o exclusivo nome de Pingo, aos seus fiéis companheiros. Nome tão diferenciado quanto suas funcionalidades para o gaúcho. Aliás, as mesmas exercidas pelos cavalos há milênios pelos quatro cantos da terra onde as condições de clima e relevo favoreceram o uso deles pelo ser humano.

Mas no Rio Grande é diferente. Aqui no Rio Grande os cavalos têm mesmo um papel fundamental, único, diferente e inovador. Como nunca em lugar algum. Olha, fosse Vinícius de Moraes um gaúcho – e crêem alguns, pela genialidade do Poetinha, deveria ser! – sua célebre frase sobre a amizade teria sido: O uísque é o melhor amigo do homem. O uísque é o cavalo engarrafado.

A supervalorização e a crença do gaúcho em abstratos e intangíveis signos, fizeram que ele criasse e acreditasse numa marca superior também para o eqüino. Bobagem. O cavalo está para o gaúcho exatamente como o jegue está para o nordestino. E lá se dedica o devido valor ao simpático animal. Teve jegue que rendeu filme brasileiro premiado em Cannes. Porém, no nordeste, parece que o valor do bichinho não vai além do real. No sul vai! Em contrapartida a fidelidade do gaúcho para com o cavalo não é tão grande quanto a do bicho com ele. Basta ver a marca de propriedade feita a ferro e fogo do primeiro sobre o segundo.

Pensando bem, o cavalo no Rio Grande do Sul deve mesmo representar muito mais do que representou a todos os povos que se utilizaram – da mesma forma que os gaúchos – dele. Talvez isso seja realmente verdade. Se no Rio Grande se acredita que o homem gaúcho tem um papel e uma representação maior do que qualquer outro homem ao largo da superfície terrestre, porque não se deveria acreditar que o cavalo também tem? O que se espera é que, ao menos o animal, saiba que nenhuma das duas coisas é verdadeira.