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Esse foi o meu discurso de formatura…

14/01/2009

 

Boa noite gente, e prometo, serei breve. Afinal de contas, as recepções nos esperam!

 

Eu queria começar dizendo que BEM MAIS do que indivíduos, somos e formamos uma SOCIEDADE. E assim sendo, precisamos defendê-la e buscar melhorá-la, SEMPRE! A nossa profissão é, além de propícia, FUNDAMENTAL para isso. E dessa maneira devemos usá-la e honrá-la. Mas não vim aqui fazer apologia a profissão. Nem, muito menos, ensinar formas e técnicas – quem sou eu para isso? –  a bacharéis regidos pelas batutas de tão sábios maestros.

Vim apresentar aos senhores, familiares e amigos dos formandos, histórias que talvez vocês não saibam ou não lembrem. Mas que eles jamais vamos esquecer. Algumas pérolas foram vividas por nós nesses últimos quatro anos de convívio acadêmico, barêmico, gastronômico, etílico e – agora por último – monográfico.

Dia primeiro de março de 2005 foi a aula inaugural da turma “regular” que se forma hoje. Na mesma sala estavam reunidos calouros dos três cursos PP, RP e Jornal. Que o Luiz nem sabia o que era. Daquela primeira gargalhada pela mancada do colega até chegar a esse púlpito, parece que o tempo passou voando. Começamos a faculdade brincando de procurar pessoas com coisas em comum numa aula de estética ou história da arte. Logo veio o tempo de se achar, de formarem-se os grupos, afinidades, panelinhas.

Algumas aulas torturantes, isso também fez parte, como não? Mas todas ótimas. O laboratório de jornalismo botou logo nossa cara na tela e nossas vozes no rádio. Era gente andando pra lá e pra cá no saguão tentando decorar o texto para os boletins. Algumas lendas foram se construindo. O medo da professora Finger, nóóóóssa, aula de televisão? E logo com ela? Veio o primeiro stand up, e o colega lança:

Morre! Jorge Savala Gomes, o PALHAÇO Carequinha. Risadas incontidas de alunos e a professora tentando não rir junto.

E as fotos? Quem achava que fotografar era mostrar a família abraçada atrás do bolo de aniversário tremeu diante de um certo professor Sempé, mas com uma cabeça e um olhar fotográfico privilegiados.

Mas nem só de medos e graça vivemos esses quatro anos. Muito menos houve uma relação distante entre mestres e discípulos. Teve colega que após cirurgia recebeu visita do Elson e do Júlio Cordeiro. Obrigado, mas não contem pra ninguém que eu estava com aquela camisola ridícula de hospital que deixa a bunda de fora.

Tivemos AULAS da profissão, mas LIÇÕES de vida. Não tinha mais jeito, como manter distância de colegas que depois da festa, às 6 da manhã, procuram desesperadamente um rádio dentro da bolsa para ouvir um programa sobre agricultura?

Ou de quem não cansa de propor um strip-poker? (Tranqüilizem-se pais de alunas, nunca foi realizado.) E de quem só come batata e queijo? Ou da que dorme dentro de banheiros em festas? Então fundamos o Sindicato da turma, com sede própria e tudo. Fez-se lá o amigo secreto com presente mais surreal da história, um rato branco.

E como não se aproximar de mestres como o sarcástico Vítor, do amigabilíssimo Fabian, da meiga Aline, do Marquinhos e suas histórias, do supremo mestre Leonam? E de outros tantos… Criamos então o projeto Prof. Mestre Cuca e fizemos professores cozinhar para alunos. As vezes aprendíamos mais numa noite dessas do que em um semestre de aula.

Tivemos cadeiras aos sábados pela manhã, algo insalubre e desumano! Professora Magda, é preciso reconsiderar! Programamos viagens que não realizamos, fizemos filmes com dedos nervosos, brigamos a respeito dos convites dessa solenidade, entrevistamos camareiras de motel, vimos a Letícia beber e perguntar: É assim que vocês ficam?

Tivemos colegas que lanchavam em lugar misterioso e até hoje desconhecido. Conhecemos a pressa de ir embora personificada na pessoa da Carla e da Vanessa. Aliás, elas estão aí ainda? Houve boato pós-festa que só se tornou verdade anos depois. Inventamos uma nova unidade de medida, a Ana Paica. Passamos noites acordados escrevendo as monografias. Há quem diga que isso não rende boas histórias, e talvez não renda mesmo, mas podem ter certeza, enraíza ótimos conhecimentos.

Bom, agora somos jornalistas, e mesmo que precisemos procurar emprego, pagar o aluguel, contas e mais contas… não deixemos que isso e que a “linha editorial” de nossa empresa ou publicação tire da gente aquela tesão que nos trouxe até aqui. A tesão pela notícia, pela verdade, pela defesa do que é certo, ético e justo. E não esqueçam, se passamos em mídia e recepção, somos capazes de tudo!

Obrigado colegas, um forte abraço, e muito boa sorte pra todos nós!

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