Archive for the ‘Era pra ter graça…’ Category

Na Bahiiia-iaiá…

26/05/2016

Existe um perfil, no Face eu acho, que apregoa: Ser baiano é outro nível!

Pois olha, em verdade vos digo, o baiano tem mesmo um jeito especial de ser, ver e viver a vida.

Não sei se o jeito do baiano é que faz a Bahia tão única e especial ou se o contrário. Pois, como dizia Caymmi, a Bahia tem um jeito que nenhuma terra tem. Talvez seja ela quem faz o baiano ser como é.

De qualquer forma, tem coisas que só se vê por aqui. Hoje, por exemplo, eu saí cedinho de casa. O destino era o meu bar do Pelourinho. Tinha serviços para realizar lá e tal…

Chegando na praça principal do bairro, a qual eu deveria contornar, vi que lá adiante o trânsito estava bloqueado.

Aqui acho que cabe um parêntese sobre o nome da praça… pois ele também expressa o sincretismo que a Bahia e os baianos carregam em si. Chama-se Terreiro de Jesus. Sou ignorante nas questões religiosas, mas terreiro de Jesus me soa sincrético, não? Fecha parêntese!

Voltando ao assunto… o trânsito estava bloqueado devido a uma missa campal. Celebrada pelo arcebispo primaz do Brasil, dom Murilo Krieger. Te mete!

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Missa campal na igreja dos Clérigos

O ato litúrgico seria seguido de uma procissão!

É exatamente aí que vem a parte curiosa e diferente da história. Pois até um ato tão conservador e tradicional como uma procissão, aqui na Bahia tem sua maneira peculiar de acontecer.

E não podia haver forma mais original e genuinamente baiana do que um trio elétrico para puxar o cortejo religioso.

Não pude ficar até o início da romaria, mas aposto que a banda abriu com:

“… na casa do Senhor, não existe Satanás, xô Satanás, xô Satanás…”

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Trio elétrico pronto para puxar a procissão.

Osvaldinho… (final)

29/05/2009

(continuação…)

Nesse instante, nem algo inimaginável, tipo um avião entrar voando pela parede do World Trade Center faria as pessoas tirarem o olhar daquela porta. O abertura ia aumentando e a luz do corredor fazia com que a sombra da silhueta de uma pessoa esguia invadisse  a agência, desenhando-se no chão e na parede oposta. Era ele, aquele sombrio metro e noventa só podia ser dele. Mas algo parecia estranho no contorno daquele corpo, à altura do pescoço. Tampouco a pastinha fazia sombra pendurada na mão direita. No lugar dela, aparecia um objeto cilíndrico. Lentamente os olhares deixavam a parede e o chão, rumando – pescoços esticados – diretamente para o homem balançante que tentava se equilibrar na entrada do escritório.

Osvaldinho, ele mesmo, o próprio. Mais o próprio do que sempre. Mais o próprio do que nunca. Era mais ele próprio do que antes sempre o fora. Camisa desabotoada, gola aberta e desalinhada, cabelos completamente desgrenhados, na mão uma garrafa de vodka barata, gravata solta, marcas de batom que marcavam o peito e iam da gola ao pé da orelha. Olheiras acentuadas, casaco preso pelo indicador sobre o ombro esquerdo e um cheiro da mistura cigarro-álcool-noite que, em segundos, inunda a agência inteira.

Diante do silêncio boquiaberto de todos, e todas, a passos trôpegos ele evolui sala adentro. Já no centro, pára. Quase não conseguindo equilibrar-se, gira perigosa e lentamente sobre os calcanhares, fitando seus colegas um a um.

No momento em que seus olhos encontram os de Adriana, que está em pé – imóvel e atônita atrás de sua mesa – as órbitas de Osvaldinho faíscam: Já tem programa – hic – pra hoje, Adri?

Ele estava de volta, o velho Osvaldinho estava de volta!

Jóia rara da música popular nacional

28/05/2009

Lá estava eu, dirigindo rumo ao trabalho. Erguia-se a manhã da quinta-feira no Porto que me faz Alegre, quando, por um erro de comando, o rádio foi parar na sintonia da Farroupilha!

Após alguns instantes ouvindo a participação de uma ouvinte que demonstrava não ter nenhum compromisso com o idioma de Camões, e que entrara no ar, ao vivo, por telefone… o apresentador decidiu me brindar com essa pérola:

http://vagalume.uol.com.br/ricky-vallen/vidro-fume.html

No cantinho superior direito há um link para o aúdio e vídeo da obra!

Vale a pena…

Osvaldinho…

21/05/2009

Mudara tanto, e de tal forma, que surpreendera até os mais próximos. De cortejador destemido, a romântico incorrigível. Tal fato aguçou os amigos. Teorias, teses, começaram a ser elaboradas – aos montes – entre eles. Nas mesas de bar ou mesmo durante o trabalho. Afinal, que diabos acontecera com Osvaldinho?

Osvaldinho, o dono da lábia, deu lugar a Osvaldinho, o romântico. Quase um tímido. As mulheres, tão acostumadas a incessantemente ouvi-lo, já nem sabiam mais reconhecer a sua voz. Nada a ver com aquele que, outrora, não perdoava quaisquer profundidades de decotes ou altura de corte das saias. Na festa do fim de ano do pessoal, sequer pulou na piscina. Pela primeira vez em 15 anos.

“É passageiro”, garante o companheiro de ataque no futebol. “Ih, não sei não. Nunca tinha visto ele comprar flores. Aliás, acho que ele nem sabia onde tinha floriculturas na cidade”, desconfia. Os relatos variam, mas a conclusão é sempre a mesma: Osvaldinho está muito mudado.

Certa feita, depois de uma festa “daquelas”, um tanto avoado no trabalho, Osvaldinho começou a sondar como seria a vida de casado. Logo ele, que dorme com o cachorro, e não tem nenhum objeto cor-de-rosa no apartamento,  agora questionava os amigos tentando imaginar como seria a vida com uma mulher todos os dias sob o mesmo teto. Pior, diziam os amigos, ele parecia perguntar sobre viver com a mesma mulher.

Dias atrás, num happy hour, os mais maldosos sugeriram até que fizesse algum curso de decoração, tamanha a predisposição dele a falar sobre quadros e móveis. Inicialmente, pensaram que ele iria se mudar, hipótese descartada. Reforma? Também não. Casa nova pro cachorro, então? Não. Apenas queria organizar seu apartamento. Estranho!

“Bichice! Virou veado…”, resmunga o ex-parceiro de bar, abandonado recentemente por Osvaldinho. “Olha, eu acho que é alguma mulher. Dia desses até vi o Osvaldinho assoviando pela rua”, completou. “Isso é coisa de homem que encontrou a mulher certa, seu moço”, sentencia a dona da banca de jornais em frente ao prédio dele.

Questionado, Osvaldinho é evasivo nas explicações. Aquele papo de se tornar um cara mais organizado já não cola. Desconfia-se até de que o cusco está dormindo numa caminha, o cúmulo. Há algo por trás disso tudo. Aliás, há alguém. A questão é: loira ou morena? Baixa ou alta? Ele não confirma nada. Nem mesmo a existência da dita cuja.

Curiosamente, nesse período de transição, as colegas da firma passaram a olhar Osvaldinho com outros olhos. O simpático ex-cafajeste agora era um partidão. Aos poucos, elas voluntariamente se aproximavam do novo homem sério do pedaço. Antes, mal davam oi e só o esnobavam em horário comercial.

Boatos dão conta de que até café servem pra ele. Perguntam da vida pessoal e algumas arriscam saber o verdadeiro motivo para tamanha mudança. Talvez queiram colher os frutos dessa transformação, não se sabe ao certo. A única certeza entre os colegas de trabalho é que a curiosidade feminina que antes só girava em torno da moda inverno e viagens a Buenos Aires, atualmente incluía Osvaldinho.  

Adriana, alvo preferido de Osvaldo nos tempos de inconsequente, hoje vê nos seus generosos quadris e decotes voluptuosos, obsoletas armas de sedução. Eles já não arrancam nada mais do que um bom dia do colega de agência. Surpreendida com a alteração de atitude, a loira comenta com as colegas e diz que deve ser algo passageiro. Nada que um bolerinho branco, uma calça jeans justa e um scarpin não resolvam.

“Segunda-feira vocês vão ver gurias, vai cair a máscara do Osvaldinho!”, apostou.
“Ai, conta… o que tu vai fazer, hein?” 

(continua…)

O que fará Adriana? Não percam as cenas dos próximos capítulos…

Dois grandes sustos…

09/03/2009

Nesse momento está ocorrendo uma espécie de sequestro(agora sem trema) em um dos pontos nevrálgicos do centro de Porto Alegre. Um casal, supostamente proprietários de uma empresa prestadora de serviços à Corsan (Companhia Riograndense de Saneamento), mantém o presidente da concessionária do serviço público, Mário Freitas, como refém.

Divulga-se, a princípio, que a ação se deu em função do não pagamento – por parte da Corsan – de valores monetários referentes a obras iniciadas pela empreiteira, mas embargadas pela concessionária para auditoria. Informações preliminares apontam o nome do empresário Marcelo Vargas, um empreiteiro de Canoas, como possível agressor.

Fico pensando, se a moda pega, amanhã vocês ouvirão: Um gerente de agência do banco Real, invade apartamento em Porto Alegre e mantém refém o proprietário do imóvel. O bancário estaria armado e exigindo o pagamento das dívidas do morador Rodrigo Oliveira, junto à instituição financeira.

Mas o pior de tudo não foi isso. Enquanto ouvia a cobertura do “sequestro”, fui ao banheiro e me enxerguei no espelho. Lá estava eu, escovando os dentes do Nuno Leal Maia. Susto!

Céus, como me nasceram tantos cabelos brancos de ontem para hoje? Não encontro respostas para isso. Pois bem, vou ter que partir para a química, creio. Medo!

Bom, agora acaba de ocorrer o desfecho da “cobrança a domicílio” na Corsan. Ficou tudo certo com refém, policiais e agressores. Vou aproveitar e sair correndo daqui, necessito urgentemente de cosméticos. Preciso fazer algo para que amanhã não me veja escovando os dentes do Walmor Chagas. Pavor!

Sazonalidades…

04/03/2009

É engraçado estar em Imbé, na beira do Rio/Mar – já que estou aqui na barra – e ver o “vazio de gente” que se deu no litoral de oito dias para cá.

Daqueles tumultos do trânsito, das exibições de minúsculos biquinis caminhantes, do concurso velado de qual carro é mais caro e mais raro dos janeiros e fevereiros de calor hostil, da concorrência pelo melhor mau gosto nos sons estridentes instalados nesses mesmos veículos – quase sempre caminhonetes, ou carros com portamalas abertos -, da concorrência canina pelo porte das mais grossas correntes de prata(?) nos pescoços de bad bois (sim, com “i” mesmo) mimados e extremamente ofensivos com a boa estética da indústria bijutérica… Agora o que se vê, ou não se vê aqui, são esses ou quaisquer outros tipos de pessoas. Se é que podemos chamar os primeiros de pessoas.

Hoje, só quem está aqui no litoral são grupos da terceira idade ou pobres coitados que precisam trabalhar vistoriando obras de operadoras de telefonia celular litoral afora. Só não me venham com a piadinha de que o segundo caso se enquadra no primeiro, até porque as turmas de velhinhos são formadas, invariavelmente, por uruguaios e argentinos.

Sigo eu aqui, então, na solidão da sazonalidade climática e migratória intermunicipal gauchesca. Fui, vou ali jogar bingo ou medir a altura da mureta da entrada de energia de um novo equipamento da Vivo. Eu mereço!

P.S.: A respeito do comentário da Carmen Lúcia num post antiiiigo, o “Sassaricando”, aqui vai a resposta, cara leitora: http://www.biscoitofino.com.br/bf/catalogo.php?var=sassaricando&x=8&y=9

Marcas criadas a ferro e fogo

10/10/2008

Eu precisava produzir uma crônica para uma revista, algo editorialmente mais sério e científico, eu acho. Mas não consigo fugir muito de mim mesmo, ou seja, do escracho, da ironia e da tentativa de fazer alguma graça. Talvez o encomendador não ache o tom do texto adequado para a linha editorial da publicação, mas acho que pra cá ele se aplica…

 

Quero escrever sobre o gaúcho, mas não estou me referindo ao gaúcho de fato e de direito, ao cidadão nascido na mais meridional das unidades da federação. Estou falando dele, do gaúcho, daquele que você – e o mundo – conhecem bem. Falo do homem especial, diferente, bravo, forte e valente que habita, não só o chão de onde as façanhas servem de modelo a toda terra, mas também o imaginário dos pampeanos de toda essa querência amada do céu de anil. E mais, que se espalha, derrama e espraia, como diria um bigode balançante, para além dos recortes geográficos do Mampituba.

Esse mito simbólico e intangível povoa e inunda, com toda a justiça, de gauchismo cidadãos desde o Oiapoque, passando por Cariri do Tocantins – que em Cariri do Tocantis todos devem ser muito tocados pelo gauchismo, é claro – e chega ao Chuy. Quem dirá então ao Chuí. Pois esse Super-homem pré e pós-moderno, tem como seu mais íntimo companheiro, o cavalo. A adaga, a guaiaca, a cuia, a bomba, a chaleira e a chinoca – que alguns forasteiros costumam tratar, desavisadamente, de mulher – até têm certa importância, mas nada comparado ao seu fiel escudeiro, o cavalo.

O cavalo tem para o gaúcho uma importância e uma exclusividade capaz de fazê-lo acreditar – o gaúcho, é claro – que a qualidade do seu animal é única. E, sempre, melhor do que a de qualquer outro cavalo existente. O gaúcho, na verdade, faz com a imagem do animal, o que a partir de algum ponto obscuro da história, se fez com a imagem do próprio gaúcho. O gaúcho tem, ou pode ter, muitos cavalos, mas todos eles têm um cavalo que é o seu cavalo. Algo como a bolita joga dos meninos ou o conjunto de cinco Marias das meninas.

Uma vez eleito melhor cavalo da tropa, o animal – estou falando do quadrúpede – passa a ser o que, na música, seria chamado de cavalo de trabalho. Ele é pau para toda obra, é o cavalo de montaria, de serviço, o cavalo da lida do campo – que todo gaúcho vive no campo – como se sabe. O homem gaúcho acredita, pois sabe – e tem toda a razão – que esse cavalo é soberano. Sim, é. E todo “cavalo de lida” – vamos chamá-lo assim para evitar problema com as gravadoras – tem direito a nome próprio.

Chegar ao posto de cavalo de lida não é fácil, o irracional precisa provar ao outro que é mesmo especial. O quadrúpede precisa ser tão forte, valente e único, quanto o mega-homem que maneja suas rédeas. Pensando na unicidade e na onipotência – que só o seu cavalo tem – todos os gaúchos dão o exclusivo nome de Pingo, aos seus fiéis companheiros. Nome tão diferenciado quanto suas funcionalidades para o gaúcho. Aliás, as mesmas exercidas pelos cavalos há milênios pelos quatro cantos da terra onde as condições de clima e relevo favoreceram o uso deles pelo ser humano.

Mas no Rio Grande é diferente. Aqui no Rio Grande os cavalos têm mesmo um papel fundamental, único, diferente e inovador. Como nunca em lugar algum. Olha, fosse Vinícius de Moraes um gaúcho – e crêem alguns, pela genialidade do Poetinha, deveria ser! – sua célebre frase sobre a amizade teria sido: O uísque é o melhor amigo do homem. O uísque é o cavalo engarrafado.

A supervalorização e a crença do gaúcho em abstratos e intangíveis signos, fizeram que ele criasse e acreditasse numa marca superior também para o eqüino. Bobagem. O cavalo está para o gaúcho exatamente como o jegue está para o nordestino. E lá se dedica o devido valor ao simpático animal. Teve jegue que rendeu filme brasileiro premiado em Cannes. Porém, no nordeste, parece que o valor do bichinho não vai além do real. No sul vai! Em contrapartida a fidelidade do gaúcho para com o cavalo não é tão grande quanto a do bicho com ele. Basta ver a marca de propriedade feita a ferro e fogo do primeiro sobre o segundo.

Pensando bem, o cavalo no Rio Grande do Sul deve mesmo representar muito mais do que representou a todos os povos que se utilizaram – da mesma forma que os gaúchos – dele. Talvez isso seja realmente verdade. Se no Rio Grande se acredita que o homem gaúcho tem um papel e uma representação maior do que qualquer outro homem ao largo da superfície terrestre, porque não se deveria acreditar que o cavalo também tem? O que se espera é que, ao menos o animal, saiba que nenhuma das duas coisas é verdadeira.

Curso em Campinas

23/07/2008

Tarde de quarta-feira, décimo sexto dia de um julho escaldante em Porto Alegre. No pulso, o relógio marca, por trás do arranhão do vidro, exatas 16 horas e 03 minutos. Nas mãos, um bilhete de embarque. Nele, assinalado o horário da partida: 17:25h. De maneira solícita e prestimosa, meu colega de empresa me concede uma carona até o terminal aeroportuário da capital riograndense. Chego com a antecedência necessária, despeço-me do amigo, agradeço e adentro no glamuroso pavilhão de atmosfera tão fria quanto o mármore que o reveste. Na sequência, realizo o check in e embarco sem nenhum percalço.

Você está estranhando, né? Pois é, até aqui não achei nenhuma graça, tudo está correndo – para meu próprio estranhamento – perfeitamente bem. Antes disso tudo, ao meio dia – como bom fanático que sou – lembrei que o Grêmio jogaria logo mais a noite, no Recife, contra o Sport. Não tive dúvidas, tirei o “fone do gancho” e tentei ser o que não sou: prevenido, esperto e malandro.

Liguei para o hotel onde me hospedaria:

– Hotel The Royal Palm Residence Campinas, Thaís, bom dia, em que posso ajudar? – ofereceu-se.

Ufa, achei que ela não fosse parar mais de falar. Como tem ar pra dizer tudo isso numa só tomada de fôlego?

– Bom dia. Vou me hospedar aí hoje, e gostaria de saber se consigo assistir ao jogo do Grêmio logo mais a noite…
– Pois bem, senhor… Peço que me dê o número do seu telefone. Vou confirmar e volto a ligar. – prometeu.

Claro que ela não cumpriu. Então, passadas duas horas, ligo novamente:

– Hotel The Royal Palm Residence Campinas, Thaís, bom dia, em que posso ajudar?

Rapaaazzzz, o troço era ensaiado mesmo.

– Sou aquele hóspede que ligou perguntando do jogo do Grêmio, blá-blá-blá…
– Sim senhor, o jogo vai passar aqui sim. Pode ficar tranqüilo. – afirmou.

Segui a rotina do dia e me apresentei para o vôo sem problem, como descrevi acima. Durante a viagem, por incrível que pareça, não aprontei nenhuma. Não perdi o avião, não desci pra ir ao banheiro em Curitiba, não atrasou o vôo, nem a escala, nada errado. Do aeroporto, tomo um taxi para o hotel e, adivinhe…

Sim, acertou. Aconteceu exatamente o que vocês estão pensando, não passou o jogo!

 

P.S.: O que dizer do nome do hotel, “The royal palm residence”, que camanga. Tsc, tsc, tsc…
P.S.2: Ah, a Thaís já tinha encerrado o seu expediente, por isso segue viva.

O melhor já passou…

07/07/2008

Que sexo é bom, todo mundo sabe. Entretanto, é muito melhor para nós – homens – do que para vocês, mulheres. Mas não é por isso que a gente sempre quer mais do que vocês (compare a quantidade de células sexuais produzidas por machos e fêmeas e conclua). Queremos mais, pois nós já começamos a sentir prazer ao fazer algo que é trivial e sem graça para vocês: tirar a calcinha.

Aliás, pode-se afirmar também que o sexo mesmo é mero detalhe. O encontro entre as genitais masculina e feminina não passa da consumação de um ato cujo clímax já passou. Não, não, caro(a) leitor, não pense que sou um Wando, apaixonado por calcinhas alheias. Tenho embasamento etílico (de várias discussões em bares) e literário – procure o texto no qual Luís Fernando Verissimo relaciona mãos, dedos e o sexo.

O fato é que nós, homens, temos muito orgulho de nossas conquistas. Valorizamos o primeiro beijo numa mulher. Aquele que só ocorre graças ao intenso trabalho de vários neurônios para formular a cantada perfeita, capaz de transformar um não em um sim. O beijo é a primeira recompensa para esse esforço. Óbvio, sempre queremos mais e, naturalmente, essa segunda recompensa é maior.

Claro que o trabalho também é maior. Mas, quando ela tira a calcinha… nossa, é um momento único, sensacional e impagável. Inadjetivável, como já defini um certo amigo eu. Isso porque mulheres normalmente são seres recatados por natureza. Tímidas, fechadas e resguardadas. Ou nem tanto, às vezes. Porém as exceções não desfazem as regras.

Por isso, aquele momento é tão especial. Quando a mulher retira ou concede a retirada da calcinha, cai o último obstáculo, e ela se entrega. E poucas coisas são mais difíceis do que conquistar e convencer uma mulher a realizar os nossos mais libidinosos desejos. O que vem depois é apenas conseqüência. Bom, ótimo, como todo mundo sabe, contudo, nada comparável àquilo que acontecera momentos antes.

Aquele pequeno e singelo gesto. Um movimento minúsculo e delicado, lento e bailante, desafiador e comovente. Ele se dá pela leveza da impressão de uma força sutil dos ombros e dos pés femininos sobre o colchão. Ela ergue então a lânguida e franzina cintura, cria-se o afastamento necessário para que se lhe retire a peça mais íntima (e sempre previamente eleita com severos critérios) do seu vestuário. Está dito, em absoluto silêncio, o sim que tanto queríamos ouvir.

P.S.: Texto escrito a quatro mãos, entre devaneios e ironias visitadas e passadas de cabeças ocas para o papel… em mais uma das enfadonhas aulas do semestre passado. Autores: este desqualificado que vos escreve e Tiago Medina de Carvalho.

Assumindo…

01/07/2008

Fiz inúmeras coisas nessa minha vida, várias certas, algumas erradas. Muitas experiências foram gratificantes, outras nem tanto, confesso. De uma delas, sou obrigado a admitir, acabei desenvolvendo uma espécie de dependência química. É muito triste ter que aceitar e publicar isso, mas acho que é o primeiro passo que preciso dar em busca da recuperação. Reconhecer, para poder procurar e receber ajuda de quem é mais importante pra mim.

Por favor, gente, ajudem-me!!!

E para piorar, estive recentemente em São Paulo, fazendo um curso. Aliás, preciso contar isso… certo dia, indo para a Santa Efigênia, passei pela famosa e deprimente Cracolândia. Aquilo lá me assusta! Mas bem, o resto não preciso nem contar, né? Pois é. Depois dali ainda fui para o meu destino original, fiz compras e mais compras. Agora estou aqui, desembrulhando o último dos “produtos” que comprei, mas tinha deixado lá em SP, na casa de um amigo. Fiquei com medo de transportar na bagagem de mão e chamar a atenção da polícia, afinal – e evidentemente – eu não tinha Nota Fiscal do bagulho. Agora meu amigo veio a Porto Alegre, de carro, e me trouxe a “encomenda”.

Agora estou aqui, vítima de mim mesmo. Abastecido de “material” para embalar meu incontrolável vício. Bem, meu jeito destemido e um tanto quanto inconseqüente, acabou me fazendo flertar vezes demais com essa prática terrível. A freqüência desse flerte me levou ao vício. Minha sinceridade e minha coragem me autorizaram a contar e a pedir ajuda, espero que consiga me curar. Pois eu não estou suportando mais…

Preciso conseguir parar de estourar plástico bolha!