Archive for the ‘Música’ Category

Na Bahiiia-iaiá…

26/05/2016

Existe um perfil, no Face eu acho, que apregoa: Ser baiano é outro nível!

Pois olha, em verdade vos digo, o baiano tem mesmo um jeito especial de ser, ver e viver a vida.

Não sei se o jeito do baiano é que faz a Bahia tão única e especial ou se o contrário. Pois, como dizia Caymmi, a Bahia tem um jeito que nenhuma terra tem. Talvez seja ela quem faz o baiano ser como é.

De qualquer forma, tem coisas que só se vê por aqui. Hoje, por exemplo, eu saí cedinho de casa. O destino era o meu bar do Pelourinho. Tinha serviços para realizar lá e tal…

Chegando na praça principal do bairro, a qual eu deveria contornar, vi que lá adiante o trânsito estava bloqueado.

Aqui acho que cabe um parêntese sobre o nome da praça… pois ele também expressa o sincretismo que a Bahia e os baianos carregam em si. Chama-se Terreiro de Jesus. Sou ignorante nas questões religiosas, mas terreiro de Jesus me soa sincrético, não? Fecha parêntese!

Voltando ao assunto… o trânsito estava bloqueado devido a uma missa campal. Celebrada pelo arcebispo primaz do Brasil, dom Murilo Krieger. Te mete!

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Missa campal na igreja dos Clérigos

O ato litúrgico seria seguido de uma procissão!

É exatamente aí que vem a parte curiosa e diferente da história. Pois até um ato tão conservador e tradicional como uma procissão, aqui na Bahia tem sua maneira peculiar de acontecer.

E não podia haver forma mais original e genuinamente baiana do que um trio elétrico para puxar o cortejo religioso.

Não pude ficar até o início da romaria, mas aposto que a banda abriu com:

“… na casa do Senhor, não existe Satanás, xô Satanás, xô Satanás…”

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Trio elétrico pronto para puxar a procissão.

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Quase aniversário…

24/05/2010

Hoje abri meus e-mail’s e lá estava um aviso de comentário feito neste blog. Surpreso, fiquei.

Acho que talvez nem eu mesmo lembrasse da existência desse espaço, um humilde endereço eletrônico escondido na combinação inteclada das infindáveis combinações possíveis. Cá jaz, esquecido nas lembranças e perdido no universo dos códigos binários armazenados nos mais remotos servidores www afora.

Como é curiosa, aliás, essa mídia internet. Ao mesmo tempo que esse blog vive seu anonimato internético e até mesmo seu abandono autoral, está vivíssimo e escancarado ao mundo. Acessível a qualquer distância geográfica, cultural, temporal e afetiva. E já que ele aqui – e aí, e lá – está, porque será que eu passei a não mais fazer uso desse rapazinho?

Acho que nesse quase ano que não me relacionei com o blog, não cheguei a sentir falta dele. Tampouco outras pessoas devem ter sentido. Taí algo que vou ficar me questionando nos próximos dias: Porque ter um blog? Porque os tive, e deixei de dar atenção a eles? Quem precisa de quem, eu dele ou ele de mim?

Talvez os blogs verdadeiramente sirvam de bengala aos seus autores. Algumas vezes, em outros tempos, acho que sem eles eu realmente cairia. Bem, fato é, que nos reencontramos. E agora que ando bem sem ele, por consideração e agradecimento, acho que está na hora de retribuir.

Quem sabe nos vejamos mais… eu e ele… vocês e ele… e por conseqüência, vocês e eu… Apesar de achar que, no fundo, isso tudo é simplesmente para fazer com que nos vejamos mais… eu e eu!

Vou indo, está na hora da audição comentada do disco Sem Destino, do Luiz Tatit. Fica a dica, o cara é excelente compositor. Amanhã (ou um dia) eu conto como foi.

Jóia rara da música popular nacional

28/05/2009

Lá estava eu, dirigindo rumo ao trabalho. Erguia-se a manhã da quinta-feira no Porto que me faz Alegre, quando, por um erro de comando, o rádio foi parar na sintonia da Farroupilha!

Após alguns instantes ouvindo a participação de uma ouvinte que demonstrava não ter nenhum compromisso com o idioma de Camões, e que entrara no ar, ao vivo, por telefone… o apresentador decidiu me brindar com essa pérola:

http://vagalume.uol.com.br/ricky-vallen/vidro-fume.html

No cantinho superior direito há um link para o aúdio e vídeo da obra!

Vale a pena…

Música, sempre a música…

18/11/2008

Há dias que estou com um refrão do Jorge Mautner na cabeça, mas não lembrava toda a letra, afinal eu sou o cúmulo da falta de memória e ela é bem difícil mesmo… Bem, hoje fui atrás e ouvi, vale a pena.

Eu tenho passado e tentado levar a vida considerando e não me deixando esquecer de algumas coisas que ouço nas letras de música. Tenho muito de Gonzaguinha, Vinícius, Lupicínio, Chico, além dos clássicos rebeldes e “jovens”(ou nem tanto) Cazuza, Renato Russo, enfim…

Mas cá pra nós, apesar de bem menos conhecido e comercial(o que não é nenhuma desvantagem, se pensarmos que no Brasil o Calipso é famosão), o Mautner merece, e tem, lugar na minha lista! E deveria ter espaço na vida de muita gente…

Perspectiva (Jorge Mautner e Nelson Jacobina)

Gosto de quem gosta
Das coisas sem querer prendê-las
Gosto de quem gosta, como eu
De ficar namorando, ficar se beijando, olhando
Para as estrelas

Assim vou caminhando
Por esta vida
Assim eu vou andando
Por esta imensa avenida
Vivendo não sei bem por quê
Sempre numa grande expectativa ahh
E avenida em russo quer dizer perspectiva
E avenida em russo quer dizer perspectiva

Sendo assim eu lhe pergunto
Se você não quer ser
A minha avenida, a minha ávida vida
A minha expectativa, a minha perspectiva
A minha expectativa, a minha perspectiva

Por exemplo
Perspectiva é avenida
Avenida Nevsky: perspectiva Nevsky
Avenida Getúlio Vargas: perspectiva Getúlio Vargas
Avenida Brasil: perspectiva Brasil
Avenida Paulista: perspectiva Paulista

É…. glasnost… transparência
E abertura é perestroika
Karandash é lápis e babushka é vovó
E camarada, ah camarada é tovarish
E paz, paz é mir mir mir

Gosto de quem gosta…

Para a rua, tambores e poetas
Ainda há palavras lindas
U R S S – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
Ó tu, União Soviética, Cristo entre as nações
Para o júbilo, o planeta ainda está imaturo
É preciso arrancar alegria lá do futuro

Morrer nesta vida não é difícil
O difícil é a vida e seu ofício
E os demais todo mundo sabe
O coração tem moradia certa
Bem aqui no meio do peito

Mas é que comigo
A anatomia ficou louca
E sou todo, todo, todo, mas todo…
Coração

Coincidência, influência ou plágio?

08/07/2008

Dias atrás escrevi:

Por obséquio

Se alguém me quiser ver morto:
Que se floreie, se anime,
se embeleze de alma, de música,
de humor, de poesia…
Apaixone-me, assim,
de si.
Então, de mim,
se tire.
Porque se for para matar-me,
por favor,
que seja de amor.

Agora escutei, “Estácio Holy Estácio”, do Luiz Melodia e me veio a dúvida que está no título desse post. Claro que não quero comparar o meu devaneio com a precisão das palavras do Melodia, Deusulivre, mas enfim… foi um questionamento que me surgiu.
Se foi uma coincidência, bom.
Se foi influência, ótimo.
E, se foi plágio, menos mal que é de um Luiz Melodia da vida.

Hehehe…

Mais uma da série: Antes tarde do que depois!

30/06/2008

Sassaricando, e o Rio inventou a marchinha que o Brasil inteiro canta (Segundo Ato)

Infelizmente só consegui ir ao espetáculo no Domingo, último dia em que era apresentado em Porto Alegre. Sim, porque se eu tivesse visto antes, teria voltado nos dias seguintes. A qualidade musical e visual da montagem é realmente impressionante. Todas as sessões contaram com platéia numerosa e repleta de presenças ilustres. Um sucesso de crítica e público.

Nesse dia, por exemplo, a autora da peça veio do Rio de Janeiro para assistí-la no maravilhoso teatro São Pedro. Aliás, aproveitando o ensejo, parabéns a ela: Rosa Maria Araújo. Outra presença, sempre destacável, é a da “Dona” Eva Sofer. Eterna responsável pela nossa mais célebre sala de espetáculos.
Até a roqueira Kátia Suman foi curtir as marchinhas… é vero!
Ah, e também estava lá o Luís Fernando… veríssimo!

Mas bem, vamos ao show. O Segundo Ato abre as cortinas para mais cinco blocos onde as canções estão agrupadas pelos seguintes assuntos:
Fazendo História, canta a temática nacionalista com críticas, elogios e muita ironia. Entre as seis canções estão Calma no Brasil, Se eu fosse GetúlioHistória do Brasil.
Comes e Bebes, o título dispensa apresentações e, das cinco músicas, mostra coisas do tipo Prato Fundo, Saca-rolha e Turma do Funil.
No trecho mais charmoso do musical, o figurino usado nas cinco marchas seguintes abrilhantam
O mundo passou por aqui, com Cadê Mimi?, Touradas em Madri e Chiquita Bacana.

Agora saem os músicos e entra em cartaz o segundo vídeo da noite, A marchinha e o carnaval. Na trilha, Marchinha do grande galo, de Lamartine Babo e Paulo Barbosa. Além de Balancê, do Braguinha e Alberto Ribeiro. Volta o elenco e começa a me angustiar a idéia de que o espetáculo se encaminha para o fim. Gostaria que aquilo durasse o resto do domingo inteiro!

Tipos e Preconceitos, segue tratando de brincar e mexer ainda mais com o público das confortáveis e impecáveis cadeiras do São Pedro. No repertório de dez números temos, Linda Morena, Mulata iê-iê-iê, Nós, os carecas, Maria Sapatão, Linda Loirinha, O teu cabelo não nega e a contagiante Cabeleira do Zezé.
Carnaval, vem para fechar o show com 13 marchinhas encadeadas numa seqüência de trazer euforia e tirar o fôlego. O bloco inicia pedindo Ó abre-alas, segue com Pierrô apaixonado (e lá estava eu), a linda Marcha da quarta-feira de cinzas, a clássica e emocionante Máscara negra, as alegres e divertidas Pirata da perna-de-pau, Marcha da cueca, Pó de mico, Mamãe eu quero e Marcha do cordão do Bola Preta.

O teatro já transpira carnaval, algumas lágrimas e muitos sorrisos percorrem rostos, colorem almas. A música que dá nome ao espetáculo, Sassaricando, encaminha o encerramento e prepara o grande final, que nos brinda com Marcha do remador e Cidade Maravilhosa.

Absolutamente todos os presentes aplaudem de pé – com justificado denodo e demora reverencial – o valioso elenco!

Uma pena, mas era finito.

Sassaricando, e o Rio inventou a marchinha que o Brasil inteiro canta

17/06/2008

Trata-se de uma peça teatral, na verdade um musical, que – como sugere o título – canta, mas também dança e interpreta, as marchinhas de carnaval nascidas no Rio de Janeiro dos anos 30, 40 e 50. Todas eternizadas na identidade do povo e da cultura nacional. No elenco estão, maravilhosamente bem, diga-se de passagem, os cantores/atores Eduardo Dussek, Soraia Ravenle, Alfredo Del-Penho, Ivana Domenico, Juliana Diniz e Pedro Paulo Malta. Na obra de Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral, com direção de Cláudio Botelho.

O espetáculo – e não há palavra melhor para descrever a produção – remete ao público uma gostosa viagem no tempo ou no imaginário. O cenário, os figurinos, a projeção de imagens da época, enfim, a aura de magia remonta aquele período. Tanto para os que o viveram, como embala os mais jovens ao exercício da construção das imagens, climas e ambientes que seus pais ou avós tantas vezes recordaram saudosos em suas cadeiras de balanço pelos alpendres das nossas infâncias.

O show é dividido em dois atos. Onde o repertório é argutamente agrupado por assuntos. No primeiro, os cinco blocos transitam por temas como:

Comportamento, que tem Maria Escandalosa, Seu Cornélio e Sassaricando, além de outras nove marchinhas.
No Entre quatro paredes o ânimo da platéia já está em alta e aparecem Aurora (de Mário Lago e Roberto Robeti), Cadê Zazá?, e a clássica Bandeira Branca (de Max Nunes e Laércio Alves), além de outras cinco.
Em seguida os pés, incontrolavelmente, batem no chão e as mãos coçam para bater palmas com o bloco:
De onde vem o dinheiro?, que traz Yes, nós temos banana, Barnabé, Cantores do rádio (de Lamartine Babo, João de Barro e Alberto Ribeiro) e mais sete músicas. Notem o nome deste último bloco… Curioso como 1940 ainda é atual nos dias e na política de hoje.

Nessa hora os cantores saem de cena e entra o primeiro vídeo. Na trilha, Marcha da quarta-feira de cinzas, composta por nada menos do que Carlinhos Lyra e Vinícius de Moraes. O trailer serve de enganche para a série seguinte:

Cidade que me seduz, onde todo o teatro já canta, bate palmas e dança nas poltronas dez inesquecíveis marchas, entre elas: A lua é dos namorados, Pastorinhas (de Noel Rosa e João de Barro), Vai com jeito, Alá-lá-ô e Tomara que chova.
Para fechar o primeiro ato, o tema é:
Padecer no paraíso, que reserva aos animados ouvintes sete  canções, entre as quais estão Daqui não saio, Seu condutor (de Alvarenga, Ranchinho e Herivelto Martins), e Vagalume.

Sobre o segundo – e melhor ainda – ato, eu conto num próximo post…

Clique aqui para ouvir as músicas do show