Archive for the ‘Papo sério!’ Category

Sempre atual…

29/07/2016

Esse texto já tem um ano que escrevi, mas nosso Brasil torna toda crítica sempre atual! Segue:

Cada vez mais eu me convenço que a esquerda é o único e melhor caminho para o Brasil!!! Bem como para todos os países com grande maioria pobre em sua população.

Quero projetos políticos que tenham foco no social, no desenvolvimento, na melhoria das condições de vida dos mais pobres e miseráveis cidadãos.
Quero combate à fome, saneamento básico e fornecimento de água potável para regiões remotas.
Quero irrigação para assentamentos de verdadeiros trabalhadores rurais sem terra.
Quero médicos de consultórios de rua, de família, de bairro, vindos ou não de outros países.
Quero atendimento e orientação que reduzam naturalmente (ou sob controle) a taxa de natalidade. Quero, e o Brasil precisa, retirar toda uma massa desse processo círculoviciante.

Quero isso. Torço pra isso. Acredito que podemos, e penso que o Brasil quer. As pessoas de bem dessa sociedade devem querer. Sei que o país precisa fazer tudo isso. E talvez, por hora, só isso.

Mas e aí, cara pálida? Como fazê-lo? Eu pergunto e eu mesmo respondo:
É imperioso… precisamos inventar, ou reinventar, a esquerda nacional.

Desde que o PT se enDireitou, esse processo, que nem bem tinha se estabelecido (mas havia iniciado sim senhor, queira você admitir ou não!), acabou se estancando.

Essa minha vontade e convicta leitura da necessidade nacional é diametralmente contrária ao pensamento direitista. Por óbvio!

Afinal ele é retrógrado e, no mais das vezes, economicamente elitista. Portanto, completamente fora da proporção das necessidades dessa União.

O tradicional umbigocentrismo da direita, não me admira. Visto que eles são, em sua imensa maioria, e na essência etmológica da palavra: Grandessíssimos idiotas.

Sim, IDIOTAS, IDIOTAS e IDIOTAS. Mil vezes IDIOTAS!

E se você, que me lê agora, é um direitista, não se furte… você é igualmente idiota!!!

Porém não se ofenda, amigo. Você pode ser idiota, é um direito seu. Mas nem por isso precisa se ofender, atestando sua ignorância.

Acontece, caro leitor, que o termo Idiota quer dizer “aquele que pensa em si, em detrimento dos outros”.

Lamentável o fato, mas todos que chegaram ao poder no Brasil (até agora) preferiram pensar e agir dessa forma.

E não é que deu tudo errado pra eles?!!!

Agora estão nas cadeias, políticos, empreiteiros, homens ricos. Tanto se protegeram, se beneficiaram, que numa metáfora futebolística diria terem atacado tanto, que esqueceram de ser defender.

O povo passa dificuldades financeiras, como sempre. Gente que trabalha, dá duro o dia inteiro. Para a população pobre, para a sofrida classe média, a coisa tá feia.

Mas ferrado mesmo está quem é presidente de empreiteira, dirigente de petrolífera, tesoureiro de partido, doleiro, articulador político, presidente do Senado, da Câmara, empresários do ramo energético!

Tudo culpa da esquerda, tudo culpa do PT e demais “comunistas”. Leia-se, todos que pensam diferente dos Aécios, Cunhas, Collors, Bolsonaros, Caiados, Calheiros e outros “moderados” como eles.

Os direitistas de plantão devem estar querendo a volta da verdadeira direita, pra que isso volte a nunca mais acontecer. Cadeia pra eles, de novo, nunca mais!

O Brasil continua não sendo mais como era antigamente!!!

Na Bahiiia-iaiá…

26/05/2016

Existe um perfil, no Face eu acho, que apregoa: Ser baiano é outro nível!

Pois olha, em verdade vos digo, o baiano tem mesmo um jeito especial de ser, ver e viver a vida.

Não sei se o jeito do baiano é que faz a Bahia tão única e especial ou se o contrário. Pois, como dizia Caymmi, a Bahia tem um jeito que nenhuma terra tem. Talvez seja ela quem faz o baiano ser como é.

De qualquer forma, tem coisas que só se vê por aqui. Hoje, por exemplo, eu saí cedinho de casa. O destino era o meu bar do Pelourinho. Tinha serviços para realizar lá e tal…

Chegando na praça principal do bairro, a qual eu deveria contornar, vi que lá adiante o trânsito estava bloqueado.

Aqui acho que cabe um parêntese sobre o nome da praça… pois ele também expressa o sincretismo que a Bahia e os baianos carregam em si. Chama-se Terreiro de Jesus. Sou ignorante nas questões religiosas, mas terreiro de Jesus me soa sincrético, não? Fecha parêntese!

Voltando ao assunto… o trânsito estava bloqueado devido a uma missa campal. Celebrada pelo arcebispo primaz do Brasil, dom Murilo Krieger. Te mete!

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Missa campal na igreja dos Clérigos

O ato litúrgico seria seguido de uma procissão!

É exatamente aí que vem a parte curiosa e diferente da história. Pois até um ato tão conservador e tradicional como uma procissão, aqui na Bahia tem sua maneira peculiar de acontecer.

E não podia haver forma mais original e genuinamente baiana do que um trio elétrico para puxar o cortejo religioso.

Não pude ficar até o início da romaria, mas aposto que a banda abriu com:

“… na casa do Senhor, não existe Satanás, xô Satanás, xô Satanás…”

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Trio elétrico pronto para puxar a procissão.

Uma saudade que dói…

11/05/2016

E por domingo passado, e por sexta, por hoje, por amanhã, por sempre… e, depois, de novo!

Texto escrito um tempo depois de perder minha mãezinha. Era madrugada, estava num bar, sozinho, creio. Foi no Marinho, o antigo, fechado com grades, só para os de casa. Ele leu, chorou, meu amigo. Colocou no mural de curtiça que ficava na parede/biombo que escondia os banheiros…

Dias atrás meu amigo Tiago, do http://www.telhadotiago.wordpress.com me lembrou desse texto, aqui em Salvador.

Domingo eu que me lembrei dele. Todos os dias ele me é atual!

Aí está…

Preciso falar, você não precisa ler!

 

 

Nesses dias em que tudo… tv, rádio, vitrinas, pessoas e planos para o almoço de domingo são só dia das mães, dia das mães e dia das mães… a saudade dói:

 

 

Na manhã das minhas lembranças, mãnhas, pergaminhos, redemoinhos.

Minha mainha, cheirinho, cozinha, cominho. Rainha!

Agora, aqui… eu indo, vinho vindo. Sou niño, pequeno. Querendo ninho, pequeño, sonhar buenos sueños.

Idéias iam, vinham. Mundo duro, maduro, mauzinho.

Ir pro ninho, sozinho, tadinho. Melhor um gole, um barzinho! Não quero soninho, mundo mesquinho.

Só aquele colinho, onde os olhos se fecham, os sonhos caminham, ganham guarida, carinho.

 

Beijem suas mães por elas, por vocês… e por mim!

 

Ver o post original

Reconhecimento

20/01/2011

Conheciam-se já, desde quatro anos antes… mas conheceram-se mesmo, nos últimos dois.

Nesse tempo, tudo que passaram, o que estão vivendo e sentindo… mas, principalmente, tudo que ainda está por vir, deverá ser enfrentado exatamente como fizeram até agora: juntos, solidários e cúmplices.

Pois assim, hoje, depois de 27 meses, podem orgulhosamente dizer que, reconhecem-se.

Quase aniversário…

24/05/2010

Hoje abri meus e-mail’s e lá estava um aviso de comentário feito neste blog. Surpreso, fiquei.

Acho que talvez nem eu mesmo lembrasse da existência desse espaço, um humilde endereço eletrônico escondido na combinação inteclada das infindáveis combinações possíveis. Cá jaz, esquecido nas lembranças e perdido no universo dos códigos binários armazenados nos mais remotos servidores www afora.

Como é curiosa, aliás, essa mídia internet. Ao mesmo tempo que esse blog vive seu anonimato internético e até mesmo seu abandono autoral, está vivíssimo e escancarado ao mundo. Acessível a qualquer distância geográfica, cultural, temporal e afetiva. E já que ele aqui – e aí, e lá – está, porque será que eu passei a não mais fazer uso desse rapazinho?

Acho que nesse quase ano que não me relacionei com o blog, não cheguei a sentir falta dele. Tampouco outras pessoas devem ter sentido. Taí algo que vou ficar me questionando nos próximos dias: Porque ter um blog? Porque os tive, e deixei de dar atenção a eles? Quem precisa de quem, eu dele ou ele de mim?

Talvez os blogs verdadeiramente sirvam de bengala aos seus autores. Algumas vezes, em outros tempos, acho que sem eles eu realmente cairia. Bem, fato é, que nos reencontramos. E agora que ando bem sem ele, por consideração e agradecimento, acho que está na hora de retribuir.

Quem sabe nos vejamos mais… eu e ele… vocês e ele… e por conseqüência, vocês e eu… Apesar de achar que, no fundo, isso tudo é simplesmente para fazer com que nos vejamos mais… eu e eu!

Vou indo, está na hora da audição comentada do disco Sem Destino, do Luiz Tatit. Fica a dica, o cara é excelente compositor. Amanhã (ou um dia) eu conto como foi.

A (des)humanidade me espanta

17/03/2009

Vê se pode um negócio desses… Vou arrumar um serviço pra ela aqui na Vivo. Aposto que em dois meses ela manda amputar o braço!

 
Admiração pela Vivo faz cliente catarinense tatuar ícones da empresa

O bom relacionamento de uma dona de casa de Brusque (SC) com a Vivo é tanto, que a cliente tatuou sete ícones da Vivo no braço. Neide Maria Montebeller Cecato, de 52 anos, fez a tatuagem colorida há cerca de seis meses.

Segundo ela, a tatuagem causa surpresa nas pessoas, mas mesmo tendo que lidar com a reação dos outros, ela não se arrepende. “Quando saio, todo mundo pergunta se é de verdade. Perguntam se estou fazendo propaganda. Eu explico que não, que queria apenas fazer uma coisa diferente. Como acho muito bonitinho os bonequinhos e tenho um ótimo relacionamento com a Vivo, resolvi fazer”, explica ela.

Depois que decidiu pela imagem do ícone da empresa, ela levou o manual de instruções de seu aparelho da Vivo como modelo para o tatuador copiar e optou por colocar um ícone de cada cor, fazendo a volta no braço. “Ficou estilo tribal. Meu namorado disse que pareço uma índia, mas eu adorei”, diz ela, que tem ainda uma lua e uma estrela tatuadas nas costas e uma sereia tatuada na perna.

Neide é cliente da Vivo desde que comprou celular há cinco anos. Toda família dela e as amigas são clientes Vivo. “Assim é muito bom. Falo com todo mundo pagando mais barato”, completa.

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                   A desgraçada

Sazonalidades…

04/03/2009

É engraçado estar em Imbé, na beira do Rio/Mar – já que estou aqui na barra – e ver o “vazio de gente” que se deu no litoral de oito dias para cá.

Daqueles tumultos do trânsito, das exibições de minúsculos biquinis caminhantes, do concurso velado de qual carro é mais caro e mais raro dos janeiros e fevereiros de calor hostil, da concorrência pelo melhor mau gosto nos sons estridentes instalados nesses mesmos veículos – quase sempre caminhonetes, ou carros com portamalas abertos -, da concorrência canina pelo porte das mais grossas correntes de prata(?) nos pescoços de bad bois (sim, com “i” mesmo) mimados e extremamente ofensivos com a boa estética da indústria bijutérica… Agora o que se vê, ou não se vê aqui, são esses ou quaisquer outros tipos de pessoas. Se é que podemos chamar os primeiros de pessoas.

Hoje, só quem está aqui no litoral são grupos da terceira idade ou pobres coitados que precisam trabalhar vistoriando obras de operadoras de telefonia celular litoral afora. Só não me venham com a piadinha de que o segundo caso se enquadra no primeiro, até porque as turmas de velhinhos são formadas, invariavelmente, por uruguaios e argentinos.

Sigo eu aqui, então, na solidão da sazonalidade climática e migratória intermunicipal gauchesca. Fui, vou ali jogar bingo ou medir a altura da mureta da entrada de energia de um novo equipamento da Vivo. Eu mereço!

P.S.: A respeito do comentário da Carmen Lúcia num post antiiiigo, o “Sassaricando”, aqui vai a resposta, cara leitora: http://www.biscoitofino.com.br/bf/catalogo.php?var=sassaricando&x=8&y=9

O umbigo e folia…

17/02/2009

Não tenho tido tempo para escrever. Tempo, ah o tempo… Saudade do tempo de ter tempo. Mas a minha falta dele é um problema só meu, não é mesmo? Tanto que as cobranças e reclamações por “estar deixando”(by Call Centers) as teias de aranha tomarem conta aqui do barraco, não se aplacam por isso. Então voltei.

Como estou sem muita inspiração para fazer piadas ou produzir textos criticosos à política/economia mundial, nacional, ou mesmo aqui dos confins tupiniquins, onde se mostra a face da corrupção… já que, tampouco, estou interessado em dividir minhas raivosas referências à Free-way congestionada e ao 3-6-1 do Roth… ao patético Bial e seu – mais patético ainda – programa de fofoca e vazia observação da desinteressante vida, de gente mais desinteressante ainda… como não pretendo espumar branco ao refletir sobre o relacionamento da menina monstro Malu Magalhães com o Dromedário, e a respeito do inexplicável sucesso dos pastores travestidos de cantores(ou vice-versa) Vítor e Léo… preferi, num rompante de umbigocentrismo exacerbado, falar de mim! O que, convenhamos, é um tema muito mais relevante e importante! Ao menos para esse que vos escreve.

Talvez o “como anda minha vida” que farei daqui por diante interesse muito menos a vocês do que as bundas desfilantes, os peitos emborrachados e os baixos QI’s imperantes na piscina e nas festas da casa mais vigiada no Brasil da poderosa número 1 do Ibope. Porém, por pura incapacidade “cultural”, já que não tenho conhecimento para opinar sobre o que realmente importa no BBBrasil, vou contar o que tem acontecido comigo. E ah, a minha vida, apesar de tão desinteressante quanto a dos “nossos heróis”(???), vocês podem espiar à vontade! E sem pay-per-view.

Estive, como todos bem sabem, estudando Jornalismo nos últimos 4 anos. Formei-me no dia 9 de janeiro (role mais abaixo a página, dê-se ao trabalho de ler o próximo post e conhecerás o meu discurso de formatura). Também já é conhecido da maioria (que ainda assim é uma minoria, já que isso aqui é muito pouco lido mesmo) que trabalho numa área nada a ver com o Jornalismo. Portanto, há anos me consterna o fato de saber, profissionalmente falando, pra onde vai minha vida… Pois bem, sigo sem saber!

O certo é que concluí uma etapa que nasceu como um desejo, uma descoberta de vontade e consolidou-se como a certeza de uma vocação. Depois, mais do que isso, virou uma obsessão pelo saber, um sonho pelo fazer e uma promessa a ser cumprida. A mim mesmo e ao meu pai, a quem prometi que um dia concluiria a faculdade. Essa parte está completa e está contada.

No mais, a vida é feita de muitos outros fatores, mas já está muito grande esse post e a modernidade diz que textos grandes não são lidos. É gente, os escritos agora não são mais avaliados ou apreciados pela qualidade (e não que esse tenha alguma), atualmente eles são lidos, ou não, pelo seu tamanho. Pasmem!

Abre parêntese. Descobri, ontem, que tem uma espécie de blog – o Twitter – que está fazendo um sucesso febril na grande rede mundial de computadores. Porque os post só podem ter, no máximo, 140 caracteres. Fecha parêntese.

Enfim, considerando tudo isso, vou comentar sobre uma das tantas outras partes importantes da vida da gente, a dos sentimentos. E sim, falo pouco deles aqui. Na verdade acho que nunca falei. Certa feita tive um outro blog e falava demais neles, achei que ficou meio piegas e parei com aquilo. Só que agora, sei lá, estou tão bem que resolvi contar. Acho que minhas irmãs vão gostar de saber/ler isso.

Conheci alguém, ou melhor, já a conheço há quase 4 anos, mas passei a conhecê-la melhor ultimamente. Trata-se de uma pessoa de quem eu já gostava, admirava, respeitava desde então. Mas é inegável que termos ficado juntos, e de uma maneira muito inesperada, não premeditada e nunca antes cogitada, tanto me surpreendeu quanto me encantou. Melhor mesmo, só o fato de que as coisas tiveram uma seqüência absolutamente natural e – até então – impensável. Curioso que hoje se tornou, pra mim, de impensável em indispensável.

Pronto, falei, azar. Piegas, me chamem, se quiserem. Mas um piegas feliz e contente com o que está acontecendo, com o jeito e o tempo com que está acontecendo, com o respeito e a parceria (êêê palavra importante essa!) que as coisas tem evoluído e com o quanto isso tudo está me encantando. Algo que, confesso, uns tempos atrás cheguei a pensar que nunca mais aconteceria.

Bem galera, agora é chegada a hora de ser menos intro e mais extrospectivo (se essa palavra existisse, é claro… mas vocês entenderam, né?) Estou falando isso porque afinal, é chegada a tão esperada hora da folia do Momo. Mais um ano se foi, mas um ano vem, mais uma vez temos o direito de extravasar a alegria contida e incontida, de expulsar a tristeza, de esquecer os problemas, de doar cinco dias e viver mágicas e lúdicas 120 horas de prazer.

É um tempo sem relógio, sem sapatos, sem contas, sem realidades, com fantasias, com música, com brincadeiras, com emoção, com suor e ritmo, com tolerância, com cheiro de festa, de folia, com amigos antigos, em busca de novos, com chiclete, com banana, com galera, com cheiro de amor, querendo que essa fantasia fosse eterna, reforçando o desejo de querer ver um dia a paz vencer a guerra e de só fazer se você fizer, com amor, com amor…

Tempos de amizade…

28/10/2008

Essa coisa de fim de faculdade tem me deixado bastante confuso, diferente e meio nostálgico por antecipação… Tô sentindo uma saudade pré-paga dos meus colegas, professores, da rotina acadêmica e dos trabalhos chatos, mas adoráveis. Como farão falta os prazos exíguos, mas ezeqüíveis, as festas, bares, amizades e a minha – talvez única – possibilidade de fingir pra mim mesmo que tenho convívio com o “mundo real” do jornalismo… Well…

Certo dia, nos devaneios de um bar ou algo do tipo, escrevi meio que de brincadeira, meio que de verdade… Divaguei meio sem pensar exatamente no que estava dizendo, eu acho. Mas agora eu vejo que as palavras que eu menos pensei e menos gostei, as que soaram até meio piegas e fizeram menos sentido, agora estão fazendo muito. Todo, eu diria! A elas:

Na batida triste(?) do Blues, na visita da saudade, na presença das ausências o que me consola é justamente a lembrança – nada blues – dos amigos de quem vou recordar “só enquanto eu respirar”…
Esteja o Apolinário onde estiver.
Saibamos, ou não, o que é RP, PP ou Jornal.
Saiamos vestidos de blusão e casaco, ou nus!, depois do tão sonhado strip poker.

Beijão… e se esquecerem de mim, lembrem – ao menos – que de você, eu não!

Escrito, sabe-se lá quando, em um guardanapo barato… bem típico dos lugares que frequentamos, sabe-se lá porque, e que foi encontrado agora. Tinha ficado perdido no bolso de uma calça sem uso. Ah, os presente eram os amigos Andressa, Luiz Felipe, Vivian e Tiago.

P.S.: Faltaram muitas pessoas importantes que farão tanta falta quanto os citados, mas que não estavam lá no dia, por isso não apareceram ali.

Marcas criadas a ferro e fogo

10/10/2008

Eu precisava produzir uma crônica para uma revista, algo editorialmente mais sério e científico, eu acho. Mas não consigo fugir muito de mim mesmo, ou seja, do escracho, da ironia e da tentativa de fazer alguma graça. Talvez o encomendador não ache o tom do texto adequado para a linha editorial da publicação, mas acho que pra cá ele se aplica…

 

Quero escrever sobre o gaúcho, mas não estou me referindo ao gaúcho de fato e de direito, ao cidadão nascido na mais meridional das unidades da federação. Estou falando dele, do gaúcho, daquele que você – e o mundo – conhecem bem. Falo do homem especial, diferente, bravo, forte e valente que habita, não só o chão de onde as façanhas servem de modelo a toda terra, mas também o imaginário dos pampeanos de toda essa querência amada do céu de anil. E mais, que se espalha, derrama e espraia, como diria um bigode balançante, para além dos recortes geográficos do Mampituba.

Esse mito simbólico e intangível povoa e inunda, com toda a justiça, de gauchismo cidadãos desde o Oiapoque, passando por Cariri do Tocantins – que em Cariri do Tocantis todos devem ser muito tocados pelo gauchismo, é claro – e chega ao Chuy. Quem dirá então ao Chuí. Pois esse Super-homem pré e pós-moderno, tem como seu mais íntimo companheiro, o cavalo. A adaga, a guaiaca, a cuia, a bomba, a chaleira e a chinoca – que alguns forasteiros costumam tratar, desavisadamente, de mulher – até têm certa importância, mas nada comparado ao seu fiel escudeiro, o cavalo.

O cavalo tem para o gaúcho uma importância e uma exclusividade capaz de fazê-lo acreditar – o gaúcho, é claro – que a qualidade do seu animal é única. E, sempre, melhor do que a de qualquer outro cavalo existente. O gaúcho, na verdade, faz com a imagem do animal, o que a partir de algum ponto obscuro da história, se fez com a imagem do próprio gaúcho. O gaúcho tem, ou pode ter, muitos cavalos, mas todos eles têm um cavalo que é o seu cavalo. Algo como a bolita joga dos meninos ou o conjunto de cinco Marias das meninas.

Uma vez eleito melhor cavalo da tropa, o animal – estou falando do quadrúpede – passa a ser o que, na música, seria chamado de cavalo de trabalho. Ele é pau para toda obra, é o cavalo de montaria, de serviço, o cavalo da lida do campo – que todo gaúcho vive no campo – como se sabe. O homem gaúcho acredita, pois sabe – e tem toda a razão – que esse cavalo é soberano. Sim, é. E todo “cavalo de lida” – vamos chamá-lo assim para evitar problema com as gravadoras – tem direito a nome próprio.

Chegar ao posto de cavalo de lida não é fácil, o irracional precisa provar ao outro que é mesmo especial. O quadrúpede precisa ser tão forte, valente e único, quanto o mega-homem que maneja suas rédeas. Pensando na unicidade e na onipotência – que só o seu cavalo tem – todos os gaúchos dão o exclusivo nome de Pingo, aos seus fiéis companheiros. Nome tão diferenciado quanto suas funcionalidades para o gaúcho. Aliás, as mesmas exercidas pelos cavalos há milênios pelos quatro cantos da terra onde as condições de clima e relevo favoreceram o uso deles pelo ser humano.

Mas no Rio Grande é diferente. Aqui no Rio Grande os cavalos têm mesmo um papel fundamental, único, diferente e inovador. Como nunca em lugar algum. Olha, fosse Vinícius de Moraes um gaúcho – e crêem alguns, pela genialidade do Poetinha, deveria ser! – sua célebre frase sobre a amizade teria sido: O uísque é o melhor amigo do homem. O uísque é o cavalo engarrafado.

A supervalorização e a crença do gaúcho em abstratos e intangíveis signos, fizeram que ele criasse e acreditasse numa marca superior também para o eqüino. Bobagem. O cavalo está para o gaúcho exatamente como o jegue está para o nordestino. E lá se dedica o devido valor ao simpático animal. Teve jegue que rendeu filme brasileiro premiado em Cannes. Porém, no nordeste, parece que o valor do bichinho não vai além do real. No sul vai! Em contrapartida a fidelidade do gaúcho para com o cavalo não é tão grande quanto a do bicho com ele. Basta ver a marca de propriedade feita a ferro e fogo do primeiro sobre o segundo.

Pensando bem, o cavalo no Rio Grande do Sul deve mesmo representar muito mais do que representou a todos os povos que se utilizaram – da mesma forma que os gaúchos – dele. Talvez isso seja realmente verdade. Se no Rio Grande se acredita que o homem gaúcho tem um papel e uma representação maior do que qualquer outro homem ao largo da superfície terrestre, porque não se deveria acreditar que o cavalo também tem? O que se espera é que, ao menos o animal, saiba que nenhuma das duas coisas é verdadeira.